Lembrando que quando eu era pequena (há uns dez anos atrás) eu via na Net aquelas histórias de terror classe B, me dei conta de que aqueles enredos previsivéis ajudaram na formação do meu gosto literário, cinematográfico e visual (num ponto geral).
Episódios clássicos como aquele do palhaço da casa mal assombrada, o menino elástico, a esponja assassina, e por aí vai, sempre fizeram-me pensar sobre ficção científica como o melhor meio de entretenimento – mesmo que eu (do topo dos meus 8 anos de idade) achasse-os ri-dí-cu-los. O final nunca era feliz, e tudo tinha um toque de humor negro.
Depois disso eu pulei para os livrinhos impressos em folha barata, vendidos a dois reais nas bancas, os famosos pulp ficiton. Não tenho mais eles e também não lembro do nome do autor, que era o mesmo que fazia os roteiros para o Cartoon Network (era o Cartoon mesmo?).
Eu acredito que esse tipo de leitura, acessível às crianças e barata, é que prepara os leitores do futuro. A baixa repercursão e a pouca atenção que esse tipo de obra ganha lhe reduz a uma marginalização, colocando o gênero em seu devido lugar: a classe B.
Não me admira que poucos anos depois eu cairia nos encantos do Tarantino, do Asimov, e do Lovecraft. Eu vejo nesses terrores pueris da minha infância um belo arremedo das tramas desses grandes nomes do humor negro, da sci-fi e do macabro. Não há nada no mundo que sintetize melhor a natureza humana do que o trabalho desses caras. Se não conhece-os, googleia-os.
E eu quero ser escritora de e-books pulp fictions quando eu crescer; fumar feito doida e beber até cair na solidão de um quarto, agarrada num notebook.
Ok, sem muitos exageros…
Eu vejo glamour na decadência pessoal em prol da ascendência literária, assim como vejo glamour nas historinhas infantis de terror tentando apaixonar as inocentes mentes juvenis.








