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pulp fiction e sci-fi

Dezembro 10, 2007 · Deixe um comentário

Lembrando que quando eu era pequena (há uns dez anos atrás) eu via na Net aquelas histórias de terror classe B, me dei conta de que aqueles enredos previsivéis ajudaram na formação do meu gosto literário, cinematográfico e visual (num ponto geral).

Episódios clássicos como aquele do palhaço da casa mal assombrada, o menino elástico, a esponja assassina, e por aí vai, sempre fizeram-me pensar sobre ficção científica como o melhor meio de entretenimento – mesmo que eu (do topo dos meus 8 anos de idade) achasse-os ri-dí-cu-los. O final nunca era feliz, e tudo tinha um toque de humor negro.

Depois disso eu pulei para os livrinhos impressos em folha barata, vendidos a dois reais nas bancas, os famosos pulp ficiton. Não tenho mais eles e também não lembro do nome do autor, que era o mesmo que fazia os roteiros para o Cartoon Network (era o Cartoon mesmo?).

Eu acredito que esse tipo de leitura, acessível às crianças e barata, é que prepara os leitores do futuro. A baixa repercursão e a pouca atenção que esse tipo de obra ganha lhe reduz a uma marginalização, colocando o gênero em seu devido lugar: a classe B.

Não me admira que poucos anos depois eu cairia nos encantos do Tarantino, do Asimov, e do Lovecraft. Eu vejo nesses terrores pueris da minha infância um belo arremedo das tramas desses grandes nomes do humor negro, da sci-fi e do macabro. Não há nada no mundo que sintetize melhor a natureza humana do que o trabalho desses caras. Se não conhece-os, googleia-os.

E eu quero ser escritora de e-books pulp fictions quando eu crescer; fumar feito doida e beber até cair na solidão de um quarto, agarrada num notebook.

Ok, sem muitos exageros…

Eu vejo glamour na decadência pessoal em prol da ascendência literária, assim como vejo glamour nas historinhas infantis de terror tentando apaixonar as inocentes mentes juvenis.

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Leiam Neuromancer, de William Gibson

Outubro 26, 2007 · 2 Comentários

 

 

-> Minha opinião leve sobre o primeiro livro do rei do cyberpunk!

Esse romance chega a palpitar na nossa frente; à primeira vista até parece uma cópia do roteiro de Blade Runner, faz alusões à temas e situações do filme Matrix, depois ecoa a bizarrice de Star Wars. No fim nos damos conta de que Neuromancer foi escrito antes de todos esses filmes, e muito após os primeiros ensaios sobre tecnologia cybernética. É um mexe-mexe de circuitos, placas de memória, naves, armas ultramodernas, drogas super sofisticadas e cirurgia plástica. Quer trocar a cor da tua pele? Implantar chips com sofwares a fim de expandir tua capacidade intelectual? Adaptar lente de visão raios-X às suas pupilas? Pois tudo isso e muitíssimo mais é possível no futuro previsto por William Gibson em seu romance de estréia.

A Inteligência Artificial, sintetizada em Wintermute (um banco de dados de alta tecnologia que se torna um personagem do livro), se faz presente do inicio ao fim, emprestando um clima de perseguição, onde ninguém é capaz de fugir do “olho-que-tudo-vê”. Um dos meus personagens favoritos é capaz de números incríveis de ilusionismo. Há uma cena fantástica em que ele dá um show em um restaurante, e ele monta todo o cenário de um quarto velho onde ele simula cenas ardentes com o corpo que ele imagina ser, por baixo das roupas, de uma das protagonistas.

O grande lance é o tom narrativo misturado às expressões inusitadas – pouco usuais para a época em que foi lançado – que dão o ar certo para o clima caótico e sujo da vida real, em contraste com o aspecto limpo e pragmático da Matrix (realidade virtual). A mesquinhez dos espaços urbanos na Terra – e fora dela também – entra em conflito com as habilidades necessárias para agir virtualmente. Ainda as drogas são uma pintada de adrenalina, pois não há quase seres humanos “limpos”. Não existe mais dor e nem ambição visual que não seja alcançada… é tudo tão fácil, que se torna fútil o suficiente para a gente pensar que seríamos realmente capazes de tudo aquilo.

Todo o leitor apaixonado deveria ler Neuromancer, assim como todo amante da cultura cyberpunk e todo o profissional de Informática.

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