Garota Coca-Cola

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coisas de menino, coisas de menina

Dezembro 17, 2009 · Deixe um comentário

Entrei em um blog que leio de vez em quando. Havia uma promoção que sorteava dois conjuntos de perfume do Boticário, um kit feminino e outro masculino. No feminino havia o perfume, algum hidratante (não lembro bem) e uma bolsa colorida. No masculino havia o perfume, um creme de barbear, e uma caixinha de pequenas ferramentas. Me apaixonei pela caixinha de ferramentas (eu sou a rainha dos conjuntos de chave de fenda de todos os tamanhos e tipos possíveis e imagináveis, tô sempre fazendo plantão na volta do meu pai quando tem promoção no posto que dá esse tipo de coisa na troca de óleo, haha), até porque tinha umas coisas lá que eu não identifiquei e fiquei hiper curiosa para ver o que são e onde eu posso mexer com elas. Aí fui participar da promoção, mas como sou mulher, eu só poderia tentar o kit feminino, da bolsa. Aff.

Aí me peguei divagando, né. Quanta besteira isso de darem carrinhos para os meninos, bonecas para meninas, esse tipo de coisa. Todo mundo deveria ser criado igual, com estímulo de interesse por tudo. Depois a gente cresce e fica tudo muito definido, tudo muito chato. – a gente cresce e o mundo fica chato, sim.

Eu queria aquelas ferramentas pow.

O que eu ia fazer com o perfume? Dar para algum amigo, sei lá, eu já tenho o meu.

Agora me ocorreu que uma boa campanha para marcas de cosméticos seria esse tipo de coisa: dar para as mulheres objetos não esperados como brinde na compra dos produtos, tipos coisas para conserto de carro, de computador, sei lá. Enfim…

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AC/DC Brasil – São Paulo

Novembro 30, 2009 · Deixe um comentário

Decidi postar sobre minha jornada em São Paulo de quinta a domingo da última semana. Fomos eu e mais dois amigos para a maior cidade do país, onde nenhum de nós havia ido ainda, para assistir o melhor show das nossas vidas: AC/DC.

Nesse primeiro post eu conto sobre o início. Amanhã pretendo postar a parte do show mesmo, e a nossa aventura da volta. Hehe.

Prefácio – A excelente notícia do Bruno

Tudo começou numa noite desprenteciosa do início de outubro deste ano, lendo meus feeds de internet inocentemente antes de dormir.
Uma janelinha do msn piscou; era o Bruno Marques, meu amigo e vizinho de bairro, que quase nunca me chamava para conversar online. Dizia ele “sabe onde eu vou amanhã?”, e eu “não, onde?”, e ele “na FNAC!”. Debochando do meu amigo, retruquei qualquer coisa como “e o que eu tenho a ver com isso…?”, sem entender onde ele queria chegar me contando aquilo, afinal, a FNAC é uma loja bem legal de um shopping aqui de Porto Alegre, mas ainda sim não passa de uma loja. Não entendi porque ele estava me contando que ia lá. Eis que ele pronuncia: “Vou comprar meu ingresso para o show do Ac/Dc em São Paulo!”.
Descobri que aquele era o único ponto de venda de ingressos aqui em Porto Alegre. Como eu não tinha cartão de crédito e nem dinheiro no cartão à vista para comprar pela internet, havia me conformado em não ir neste show, e até

passaporte da alegria

vale-felicidade

já tinha quase chorado por isso. Só que além de me dizer que poderíamos comprar o ingresso aqui na cidade mesmo, o Bruno me contou que poderíamos comprar pela metade do preço, com nossos comprovantes de matrícula. Bem… no outro dia lá estava eu pedindo para minha chefe para me liberar na metade do meu horário de estágio de manhã. Minutos depois eu estava correndo de ônibus até o serviço da minha mãe para pegar dinheiro emprestado com ela. Dali parti para a FNAC, encontrei o Bruno e o Douglas, e passamos três horas e meia numa fila que valeu cada minuto de espera. Às 13h30 daquela tarde eu estava com meu ingresso de estudante para a pista do show que ocorreria dali dois meses.

Para mim aquilo não era um ingresso de show, era um vale-felicidade.

Depois disso foi correria geral. Comprar passagens de avião valiam muito mais a pena do que ir com as excursões de ônibus, porque sairiam o mesmo preço. Optamos pelo vôo, pagando de novos-burgueses-brasileiros-felizes-com-passagens-aéreas-populares (e responsáveis pelo atual congestionamento aéreo). Porém, muito felizes. Depois disso foi um pouco de discussão sobre ‘onde ficar’ já que nenhum de nós havia ido para São Paulo antes. Temendo ficar sem teto por lá, acabei fazendo reservas para nós três (eu, Bruno, Douglas) e mais dois amigos em um albergue – o mais barato e mais perto de estações do metro – com jeitinho cool, mas o qual eu não tinha referência nenhuma. Foi no grito mesmo, tiro no escuro – pelo menos eu consultei o CNPJ para ver se existia, né. Não sou assim tão porra-loca. Algumas semanas depois conheci mais um cara da minha universidade que ia com uns outros seis ou sete amigos e indiquei o mesmo albergue para eles; quando vi, minha reserva lá tinha um contingente de mais ou menos dez soldados indo para o show.

Primeiro dia – Cidade grande e gente nova

Dia 26 de novembro embarcamos, os três mosqueteiros do Jardim Vila Nova, no vôo das 15h da Ocean Air, com destino a Guarulhos. No vôo estavam alguns companheiros que ficariam no albergue conosco, antigos e novos conhecidos do rock de Porto Alegre. Sinceramente, eu não tinha espectativa nenhuma sobre a região para onde estávamos indo, nem das pessoas e nem dos atrativos turísticos; realmente não fazia parte da minha listinha de lugares para se visitar. Mas vou dizer que mordi a língua. Quando aterrissamos – eu, como sempre, me recuperando do mal-estar que sempre me dá nos pousos de avião – fomos direto para uma parada de ônibus que nos levaria de Guarulhos para São Paulo. Dentro do ônibus conhecemos uma moça extremamente simpática que nos deu todas as dicas possíveis e imagináveis sobre transporte na cidade. Anotei tudo – mais por educação do que pela avalanche de dados que ela nos passou (que eu não sabia bem se eram úteis mesmo ou não), mas que mais tarde se provaram extremamente eficientes. Nos despedimos dessa pessoa legal, a Renata, sem nem ter tempo de agradecer direito. Metade do nosso grupo queria ir direto para o Morumbi ficar na fila, sem rodeios, e estavam com pressa.
Nota mental do momento: xingar o Bruno por não ter tirado foto de um cone de sinalização que vimos enterrado em uma mureta de concreto de um viaduto que cruza a Marginal Tiête. Dava para ver só metade dele para fora, era tipo aquelas cenas que a gente tira foto e manda pro site do Desmotivation.

Nos separamos na estação da Sé ou na Paraíso, não lembro agora. Nós, os três mosqueteiros, fomos para o albergue e o resto foi para o estádio onde aconteceria o show na noite do dia seguinte.
Descendo na estação Brigadeiro, subimos uma rua e chegamos na Treze de Maio. Lá estava o Lime Time Hostel. Os guris não levaram muita fé ao ver a fachada – verde limão -, mas depois que entramos lá o clima mudou drasticamente. A pessoa que fazia o check-in era um americano extremamente simpático, de Los Angeles, que não falava português. Achei o máximo. Ele nos mostrou o albergue, todo muito bonito, equipado com iMacs, uma área nos fundos onde rolava música eletrônica – mais tarde conversei com o dj, um britishguy de Londres bem locão, que gostava de diálogos extensos aos berros na frente da sua pick-up; ele com aquele inglês carregado e eu com inglês gaguejado -, e quartos de beliches confortáveis. Era um lugar limpo, bonito e descontraído. Adorei. Tinha até um cachorro lá, o Gringo, que as gurias gostavam de chamar de IG, por causa da aparência. Depois conheci um australiano bem bonito que trabalhava de barman ali, falava português pelos cotovelos, e sabia de todas as festas para aquela noite.

Douglas, eu, Bruno e o cão Gringo

Após nos acomodarmos eu descobri porque o albergue se chama Lime Time: eles servem uma capirinha de graça para cada hóspede que for ao bar entre as 21 e 21h15. Foi muito engraçado ouvir um cara (até agora não sei se argentino, uruguaio, etc, só sei que era latino e estava lá para treinar luta-livre) sair  pela cozinha  gritando “Free drinks! Free drinks!”. Haha.

Fiquei no quarto com duas inglesas que gostavam de conversar sobre festas e descobrir novos lugares que não estão nos roteiros turistícos para visitar. Só nessa noite de chegada apareceram essas gurias, dois turcos, nós, quatro goianos, um irlândes e mais duas mineiras. Para mim, que nunca havia ficado em um albergue nesses meus modestos desenove anos de vida, foi o máximo dos máximos essa diversidade de gente convivendo no mesmo espaço durante esses poucos dias.

Saímos andando à esmo pela av. Paulista de noite, junto com os goianos, segurando o nosso suspiro caipira frente as obras de arquitetura moderna daqueles prédios imensos. No fim, fomos parar na rua Augusta. Jantamos comida mexicana e eu decidi que iriamos voltar por outro caminho, para conhecer mais a cidade. Eu era a única garota no meio daquele monte de caras, e estava decidida a comandar a pequena comitiva. Acabei fazendo-os andar o dobro do que o necessário, suar à bicas, morrer de medo andando em cima de um viaduto meio trash (com cara de perigoso), e serem convidados a entrar bares de meretrício. Me assustei com um dos goianos que ficou extremamente bêbado com meia garrafa de Heineken e saiu correndo sem camisa no meio da avenida. Mas é importante ressaltar que não me perdi nenhuma vez nas ruas.
- E só para fazer um adendo, a minha opinão sobre a rua Augusta é a seguinte: ela é a cruza bastarda da Independência com a Lima e Silva que foi enviada à São Paulo afim de que os gaúchos não corrompessem-na com seus ideiais de bares que fecham tarde da madrugada. Porque todos os barzinhos dessa rua fecham à 1h, e as casas noturnas (que fazem jus à palavra ‘alternativa’, bem do jeito que eu gosto) parecem redutos de perdidos da noite que estão mais para ‘pegação’ do que pela festa mesmo.
Enfim… deixa quieto.

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fail/in/love

Novembro 6, 2009 · Deixe um comentário

Foi aberta a temporada Bon Jovi meloso na minha semana, ainda bem que ela tá acabando, e espero que não dure mais.

Não sei se é porque meus dois melhores amigos – sim, os dois! – estão namorando, se é porque eu tenho me sentido bem estudando derivadas e integrais, se é porque as applets do wordpress estão invadindo o espaço onde estou digitando esse texto, se é a liberdade que a falta de dinheiro me deu, se é minha felicidade boba de me apaixonar a cada esquina… Mas eu tenho me sentido bem integrada com o mundo ultimamente, e comecei a entender que nem sempre eu vou ter o que eu quero. O que é uma novidade para mim, já que eu sempre busquei as coisas até o fim. Nunca muito insistente, mas sempre muitoimperativa.

Estou romântica, mas estou apaixonada por um ideal não muito bem definido.

É bom se apaixonar por uma idéia; ela não vai te aborrecer, não vai te ligar de madrugada para te acordar com palavras carinhosas, não vai te fazer esperar pela ligação que nunca vem, não vai te trair, não vai te fazer pensar que é estúpida, não vai te levar a fazer coisas bestas.

Mas como eu queria poder suar num quarto com o ideal.

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pausa para bancar a boba

Outubro 20, 2009 · Deixe um comentário

Então lá estava eu, bem inocente, respondendo e-mails e trovando fiado, lá na biblioteca do Instituto de Física. Para mim era um dia normal. De manhã eu tinha trabalhado no campus do centro, almoçado no RU, e de tarde me mandei pro campus do vale para estudar e esperar as aulas da noite começarem.

Como sempre, eu estava com a cabeça à milhão e ao mesmo tempo sem pensar em nada específico. Nada relevante nessa minha vidinha de classe média baixa, sustentada pelos pais, festinhas bancadas pela bolsa-auxílio da faculdade, e cuja maior preocupação é passar nas disciplinas. Foi no meio dessa onda de tranquilidade  confortável que algo, mais precisamente uma frase, caiu como um marretaço na minha cabeça.

“Sim, ela tá grávida.”

QUÊ?

O que mais me chocou era que isso foi algo que eu sempre esperei da minha amiga. Sério. Não em um aspecto negativo… Mas é estranho ver uma coisa que tu sempre teve como certa, finalmente acontecendo. Explico.

Eu e ela nos conhecemos aos 4 anos. Vizinhas. Um mês de diferença apenas. Nos criamos juntinhas, mesma escola, mesmos amigos, mesmos passeios, mesmas viagens nas férias (eu ficava metade das férias com a família dela, e a outra metade nós duas ficávamos com a minha). Grudadinhas. Até no clube a gente ia junta. Aula de volei, de natação, de dança, escotismo… Às vezes as pessoas confundiam nossos nomes, mesmo que ela fosse uma mulata de cabelo comprido, e eu uma morena de cabelo chanel. Mas haviam fatores em que nós sempre  fomos opostos. Eu ouvia progressivo à exaustão, ela gostava de balançar ao som de um pagodinho. Ela ficava horas torrando no sol, eu andava de camiseta na praia. Ela bebia desde a metade do ensino fundamental, eu entornei a primeira cachaça no meio do ensino médio. Ela tinha vários namoricos, desde os nossos 9 anos. Eu fui beijar a primeira vez com 13. (e só fui beijar de novo com 15!).Ela era muito sociável e conhecia muita gente, eu era mais tímida e demorava para pegar confiança. Ela sempre teve corpaço de parar o trânsito, eu sempre fui gordinha e mais baixa.

Porém, nada disso era impecilho para nossa felicidade juntas. E como fomos felizes. Organizávamos altas festas (na casa dela, claro, que era enoooorme), mentíamos para as pessoas que recém conhecíamos, contavamos histórias mirabolantes de como éramos filhas do mesmo pai, mas não das mesmas mães. Acho que no fundo, a gente queria que isso fosse verdade, sabe? A gente brigava bastante, feito irmãs mesmo, e fazíamos as pazes sem trocar palavra alguma. Planejavamos juntas, marcávamos datas para fazer faculdade, para casar, para viajar, para termos nossos filhos.

Filhos.

Os planos eram o seguinte: só teríamos filhos quando fossemos casadas com homens lindos e perfeitos, tivéssemos nossas casas (grandes e lindas), nossos cachorros, e tivessemos dinheiro para mandar nossas crias juntas para a Disney nas férias.

Mas alguma coisa deu errado. Depois que a gente tava com os dois pés na adolescência, todas aquelas diferenças que tínhamos vieram à tona, e a gente se afastou. Sem brigas, sem nada, de um jeito bem natural. Ela me fez falta em muitos momentos, e houveram coisas terríveis por onde passamos e que eu não tive força o suficiente para aguentar a barra toda ao lado dela. Mas acho que no fundo ela me entende. Isso não significa que ela se tornou menos para mim, pelo contrário; essa distância entre a gente só colabora para nos sentirmos mais próximas  quando nos encontramos.

E agora… ela tá grávida. Mas como? Fui traída! O plano para ter filhos era esse: casada, com emprego, com casa… Hm…Daí eu parei para pensar. Ela já tem tudo isso. Apesar da nossa pouca idade, ela cresceu muito mais rápido que eu. Assim como o primeiro beijo foi mais cedo, a primeira menstruação foi mais cedo, o primeiro porre foi mais cedo. Ela também casou mais cedo, virou adulta mais cedo, e agora,óbvio, vai ter filhos mais cedo. Mas por que é tão estranho? Parece que sou EU quem está grávida. E eu olho para mim: não passo de uma guria! Uma criança aos olhos da maioria das pessoas.

Isso me choca. Mas de alguma forma, eu tô tão feliz que cheguei a chorar ao receber a notícia. Meu deus, um filho! Céus, que loucura. Eu vou ensinar um monte de coisa para essa criança, haha.

Sei lá. já vi muitas primas tendo filhos, muitas amigas de colégio engravidando, assisti tudo de camarote. Só que nunca tinha sentido tal emoção. O que será que tem de diferente?

“Esse vai ser teu primeiro sobrinho, vanessa” disse sabiamente a minha mãe.

É verdade.

Ai, tô muito boba. Hahaha. =D

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odeio ter saudade de alguém

Outubro 8, 2009 · Deixe um comentário

à vezes me dá um arrombo no peito, um nó na garganta, uma saudade danada de coisas que a vida me deu e me tirou.

Eu tenho um limbo de pessoas dentro de mim, pessoas importantes que se foram. Que deixam uma falta imensa, que me marcaram, que me fazem chorar nas horas mais inesperadas quando fico sozinha no meu quarto. Pessoas por quem eu não chorei quando deveria, mas que vão me fazer chorar pro resto da vida. Pessoas que eu vejo nos lugares onde eu constumava conversar com elas. Cheiros que me lembram essas pessoas. Não chega a ser um tormento, mas é a sensação de que eu deveria apreciar tudo na vida ao máximo, antes que acabe. Pessoas que me deixam saudosa.

Mas existe uma pessoa. Uma pessoa que se perdeu de mim e eu me perdi dela. Uma pessoa que ainda existe. Alguém por quem eu choro nas horas mais inesperadas, alguém que eu vejo nos lugares onde a gente conversava, alguém cujo cheiro impregnou na minha alma.

Essa é a pior saudade que se pode existir. É saudades de alguém que não se foi, de alguém que ainda está aí, mas que do contrário dos meus queridos mortos, é vivo, e foi justamente a vida nos separou.

Dá uma tristeza sem tamanho.

Não importa quantas vezes eu me enlouqueça, não importa quantas pessoas caibam no meu coração, não importa quantas criaturas incríveis existam na minha vida. Existe uma, e só uma, que eu sempre vou enxergar por completo, que eu sempre carregarei no meu peito incondicionalmente. Aquele por quem eu acordo toda a manhã e não sei explicar porque isso ainda acontece. Que inexplicavelmente parece tão perto quanto as pessoas que estão encostadas em mim, mas está fisicamente longe.

Não sei, não sei.

Odeio ter saudades de alguém que ainda caminha entre nós, porque é tão fácil sair correndo e vê-lo; e no entanto, algo me impede.]

Odeio coisas simples sendo complicadas. Odeio.

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Por que meninas não gostam de Física?

Outubro 7, 2009 · 2 Comentários

Resisti um semestre inteiro, até que me dei por vencida e entrei na comunidade do orkut Mulheres na Física. Sempre achei besteira ficar se admitindo mulher que estuda uma ciência exata, sabe? Para mim, nunca me senti menos capaz do que qualquer homem, então por que me auto-destacar por uma coisa que não existia? Até porque, no pouco tempo de faculdade, ainda não sofri nenhum tipo de preconceito vindo dos professores ou dos colegas de sala.

Pois enfim, um dia me dei por conta da importância do fato de mulheres serem raras em cursos de exatas.

Um dia estava eu conversando com um amigo que faz Engenharia Civil. Ele estava comentando de uma garota muito bonita que era colega dele, e que ela “se achava demais” por ser bonita e ir bem na faculdade ao mesmo tempo, só porque está num curso estereotipado como “para homem”.

O que ele me disse foi o seguinte: “As gurias geralmente vão melhor do que os guris nas notas, porque elas se esforçam bem mais do que a gente. Mas nós compensamos com o instinto.”

Pera aí, wtf? Compensa com instinto? Como assim?

Aí se seguiu um longo discurso sobre os homens serem ‘naturalmente’ propensos a ter mais noção de espaço, e ter habilidades superpoderosas e superiores para calcular… Ai, meu fio, só um pouquinho, né? Me poupe. A guria tira A em Álgebra Linear, mas qualquer cara que tirou B continua sendo melhor do que ela só porque, putaquepariu, nasceu homem?

Achei que meu amigo estava falando besteira, mas conversando com outras pessoas descobri que realmente existe esse tipo de pensamento e ele é muito recorrente nos cursos de engenharia. E mais: descobri que na Física também existe isso, só eu que não tinha me dado conta. Reza a lenda que esta é a ciência onde a participação de mulheres tem o crescimento mais lento. E é bem real, eu mesma tenho apenas cinco colegas do sexo feminino.

Mas por que tem tão poucas garotas?

Não sei. Aliás, não consigo chegar num consenso dentro de mim mesma sobre isso.

Mas é fato que existe um estereótipo prontinho para quem faz Física, e esse estereótipo não é correpondente àquilo que ensinam para as meninas desde pequenas. ‘Seja linda’, ‘ande como uma modelo’, ‘aprenda a se maquiar’, ‘valorize seus atributos físicos’, ’seja comunicativa’, ’se mostre cordial com todos’… É muito mais fácil ver eu e minhas colegas andando curvadas (com mochilas lotadas de livros) pelos corredores, com os dedos sujos de giz, os cabelos bagunçados, a testa suada, e nenhum saco para ficar lançando risadinhas agradáveis para os nossos colegas enquanto temos que derivar e construir equações malucas para resolver exercícios doentios. Mas também a gente nunca deixa de dar uma passadinha no banheiro pra pentear o cabelo, passar um gloss, e alongar as costas. Também nunca deixamos de flertar com ninguém (afinal, somos únicas num universo cheio de guris legais e uns muito gatos, temos que aproveitar), e nem de ir em festas. A diferença é que esse tipo de coisa, pré-definida como preocupação feminina primordial, não é o nosso foco. Assim como provavelmente não é das garotas que fazem Letras, Arquitetura, Direito, Medicina – mas que seus cursos permitem que sua própria estereotipação não faça das mulheres um elemento estranho dentro do corpo discente, e nem faz dessas  ‘coisas femininas’ algo tão distante da realidade.

Vivemos, quando pequenas, em um universo que a sociedade cria para nós onde somos direcionadas a sermos sentimentais, apaixonadas. Não há nada de errado em ser assim, o que está errado é conduzirem nossa educação nesta direção. Os garotos são ensinados a serem racionais, frios. Na Física é preciso ser racional e apaixonado, e eu acredito que a combinação destes são essenciais para qualquer carreira. Mas não há muito espaço para humanidade/socialização/diálogo, e por criarem as garotas de modo a serem carinhosas – dóceis – agradáveis, isso soa muito agressivo para a maioria.

Bem, como eu disse, eu realmente não cheguei num consenso geral para responder esta pergunta. Mas vou continuar perguntando por aí, para a galera, e vou pesquisar mais  sobre as mulheres da física por aí.

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woodstock revival e psicodália 2009

Setembro 29, 2009 · 1 Comentário

Quando eu era pequena e olhava aquelas imagensde gurias com flores na cabeça e cabelo comprido, aqueles caras de roupa colorida e colete, dançando na grama, e até mesmo a galera de roupa de couro e spike nos braços, pálidos,  na televisão, algo me dava uma impressão de identificação muito engraçada. O diferente me atraía de um modo que eu nunca soube explicar. Talvez porque minha mãe, apesar de ser uma das pessoas mais normais que eu conheço, ouvia muito Pink Floyd quando estava grávida. Diz ela que nunca deu bola para esse tipo de música até estar grávida de mim, e também ela nunca mais ouviu depois que eu nasci (não ouviu por vontade própria dela, porque eu sempre escutei bem alto no meu quarto).

Eu sempre fui certinha, cdf, educada, correta, discreta, e coerente. Não bebia, não fumava, não me envolvia com garotos, e ia à igreja todos os domingos. Nunca desobedecia meus pais (muito embora minha mãe discorde), e era rata de biblioteca. Por mim, enquanto tivesse meus livros, minha solidão, música boa, estava tudo bem. As pessoas confiavam em mim por causa disso, eu sempre passava um ar de responsabilidade.

Mas eu tinha um sonho secreto.

Eu queria participar de um daqueles acampamentos doidões que eu via nos filmes, onde todo mundo se amava, onde todo mundo era igual, todo mundo fazia música, sem regras, todos se respeitando. Eu também queria entender porque as pessoas usavam maconha, lsd, álcool, porque faziam tanto sexo. Eu tenho uma mania estranha, quando leio um livro eu faço questão de respirar fundo e sentir tudo aquilo que os personagens estão sentindo; me vejo na pele do ser, me ponho dentro dos sentimentos dele e provo suas sensações. Eu conseguia fazer isso quando os personagens sentiam dor, ciúme, amor, vergonha, felicidade, tristeza, possessão, raiva, etc. Mas eu não conseguia sentir quando eles se sentiam embriagados, quando sentiam tesão, etc.

Anos passaram. A adolescência passou. Eu descobri como eram aquelas sensações. De um modo progressivo e lento, ninguém mais tinha aquela imagem antiga de mim, certinha e sóbria. Nunca fui junkie, daqueles casos extremos, e eu sei que para que isso acontecesse seria muito fácil. Mas passei numa boa, e segui com a vontade de ver meu sonhozinho, de ter um mini-woodstock só para mim.

Aí então, descobri que aqui no Brasil tem um micro-woodstock sim. Vários deles. É só se ligar quando acontecem.

Participei do Psicodália 2009 no carnaval e foi uma das melhores coisas que já me aconteceram. Arrisco dizer que foram os melhores 4 dias dos últimos 2 anos. 96 horas de música, natureza, amizades inesperadas, loucura, paz, e saúde.( Sim, porque eu não espirrei nem ao menos UMA vez lá, e eu sofro de rinite crônica.) Não tem muitas palavras para descrever o que foi aquilo tudo, só sei que foi o máximo de bom.

E tem de novo. Contrariando o que planejava, de ir no carnaval de 2010, este ano acontece no ano novo 2009/2010. e tem Mutantes!

bem, não precisa falar mais muita coisa, né?

Então… eu estava aqui olhando umas fotos do Woodstock de 69, e um pouco antes eu estava lamentando ter nascido depois disso porque eu queria muito ter feito parte, mas pelas imagens eu descobri que a gente está na mesma época de 69. Explico. Nas fotos, as roupas, as expressões, os objetos, são todos os mesmos que eu vejo por aí, nas festas da faculdade, nos acampamentos, em todo o tipo de celebração à nossa diversidade juvenil cultural. Aquelas fotos poderiam ter sido tiradas em alguma edição de qualquer festival do gênero aqui no Brasil. Me senti meio sintonizada com aqueles caras que fizeram história em Bethel.

Enfim, fica minha sugestão para todos aqueles que não sabem o que fazer na noite de ano novo (e nos dias que precedem e sucedem).

[Nunca me esqueço a sensação de segurança naqueles dias que eu fiquei na chácara de São Martinho/SC; todo mundo numa paz infindável, nenhum problema,  nenhum estresse, cada um curtindo seu momento, todos seguindo o mesmo caminho para objetivos diferentes; harmonia.]

Link: www.psicodalia.mus.br

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ficções reais

Setembro 24, 2009 · Deixe um comentário

Ficção baseada em fatos reais.

Um dia eu tenho que escrever um livro de pérolas.

Amiga 1: Mas ele é gordo!

Amiga 2: Nem é nada… tá louca?

Amiga 1: Ele realmente parece um KLB.

Amiga 2: Meo, tu tá doida? Ele é lindo. Olha que jeito de ficar olhando, os olhos dele brilham… Olha os ombros, as pernas… Tem carne ali. Ele é todo quente, sei lá.  – Pausa – Ok, me diz. Eu tô pirando, né?

Amiga 1: Tu tá fudida, lamento.

Amiga 2: Eu sei, que saco. Cara, odeio amor platônico.

Amiga 1: É platônico mesmo?

Amiga 2: É. Nunca tinha visto o guri na vida antes… Mas quando ele entrou na sala meu coração disparou na hora. Desde então não sei nem agir direito quando ele tá perto.

Amiga 1: É, lamento, tu tá fudida mesmo.

Amiga 2: O que eu faço?

Amiga 1: Tu já sabe.

Amiga 2: Não sei, me diz!

Amiga 1: Tu sabe sim.

Dois dias depois…

Ele: Tu não olha as pessoas de frente.

Ela: Claro que eu olho.

Ele: Não. Tu não me encara por mais de cinco segundos.

Ela: Hm… Acho que é impressão tua.

Ele: Não sei, hein.

Ela: Bem, agora eu tenho que ir. A gente se vê. Tchau!

Ok, poderia ter sido assim. Mas não foi. Foi assim:

Ele: Tu não olha as pessoas de frente.

Ela: Claro que eu olho. Eu puxo conversa com todo mundo!

Ele: Não. Tu não me encara por mais de cinco segundos.

Ela: Ok, não encaro mesmo. Não consigo. Mas é só contigo.

Ele:

Ela:

Este é o momento certo para se estabelecer uma pequena tensão. É aquele instante em que tudo faz sentido, em que ela finalmente olha nos olhos dele e o mundo pára e começa a girar em torno deles. Ele chega perto, encosta nela, ela corresponde; o resto a gente já sabe.

Não fosse pelo fato de que os diálogos desse tipo só serem possíveis através de mensageiro instantâneo.

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sobre racismo

Setembro 8, 2009 · Deixe um comentário

Adoro ler o blog do Alex Castro porque sempre me alfineta nos lugares menos esperados da minha vidinha de classe média baixa.

Me dei conta que nunca escrevi sobre racismo, apesar de pensar muito nisso. Eu escuto coisas absurdas todos os dias sobre este assunto, mesmo daqueles que dizem “não sou racista”. Até porque, gente, se vocês perguntarem para todas as pessoas na sua volta num raio de 20m, todo mundo vai dizer que não é racista. Mas por que ainda existem negros sendo espancados do nada, por nada, em qualquer lugar?

Há um ano atrás mais ou menos, eu pensava que meu país não era algo ‘racista’. Sabe? Eu sabia que existiam resquícios, mas nunca tinha me dado conta que, no país do “deixa-pra-lá”, ninguém é santo. E que o racismo se faz muito mais forte do que eu acreditava. Sendo branca, eu nunca poderia ter uma dimensão do que é ser negro. Depois de ler Naomi Wolf e perceber  como o patriarcalismo me prejudica desde sempre, eu comecei a encontrar pontos de parâmetro para ter (somente) uma idéia do que representa você ser pré-definido por uma característica física. Dá para perceber a armadilha que se cerca em torno da pessoa? Você é negro. Isso é uma coisa que nunca poderá ser mudada. Entende? E as pessoas foram educadas a vida toda para sentir pena de você. Para dizer para os filhos que falar “negão” é feio, o certo é “moreninho”. Que antigamente fizeram uma maldade com os negros, mas depois se redimiram ao dar a eles a liberdade nas favelas. Que é bonitinho ter amigos negros para depois dizer “eu não sou racista, tenho até amigos negros e me dou super bem com eles”, enquanto troca de calçada na rua toda a vez que cruza com um cara de pele mais escura (afinal, todo negro é assaltante, né). Que agora estão fazendo um racismo docaraio ao definir cotas nas universidades (afinal, todos são iguais, inclusive os negros, só não sabíamos porque eles não apareciam no campus antes das cotas, vai ver é coincidência eles surgirem agora).

Sabe… Só pelo fato de ser mulher, eu já estou presa no fato de que as pessoas me avaliam pelo meu corpo automaticamente; se boto muita roupa, sou uma idiota que ‘não sei me valorizar’; se boto pouca roupa, sou uma piriguete que quer se aparecer. Se beijo alguém, tô facinha. Se não beijo, sou fazida. Acho que é mais ou menos assim, só que em escala maior, que os negros sentem o preconceito com eles. Nos supermercados e lojas, sempre tem um segurança à espreita; na faculdade, sempre tem alguém olhando torto (“cotista¬¬”). É engraçado que eu já ouvi muito em festa, bem no off, a frase “mas ela é preeeeta!” quando alguém comenta que uma menina chamou atenção por ser bonita (leve em conta que as festas que eu ia alguns meses atrás, tinham predominância de descendentes de europeus em seu público, naquele estilinho brit rock e indie pop feito para loiros e magros).

O problema é que nada vai mudar, e os caras continuarão a ser espancados por nada na rua, se todos nós não nos darmos conta de que racismo existe sim. Enquanto vocês continuarem fazendo cara feia quando alguém levanta o assunto, enquanto continuarem a dizer ‘isso não existe, debater isso é ser preconceituoso’ ou ‘os negros são preconceituoso consigo mesmos’  só faz o país continuar estagnado nessa mentalidade pequena e programada que, sei lá, a Globo constrói (nem vou comentar do ridículo daqueles pseudo-indianos brancos na novela né, uó aquilo).

Eu não espero ver meus filhos brincando com crianças negras para tirar fotos ou dizer “olha só que bonitinho, o mundo não é mais racista”, porque isso já acontece (obs: eu ainda não tenho filhos). Eu espero que quando meus filhos nascerem eles não saibam o significado de “cotas para negros”, que eles não estranhem um presidente negro, um médico negro, que eles não entendam porque antigamente era pejorativo chamar o cara de “preto”. Espero que eles aprendam essas coisas na escola, como parte da história, mas que não seja algo presente no dia a dia deles.

Eu sei que isso não vai acontecer a tempo dos meus filhos nascerem, mas vale a pena expressar minha indignação sobre as pessoas ou seja todo mundo que levantam uma bandeirinha para dizer que racismo não é discutível e faz parte do passado.

Passado uma pinóia.

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post do Marcelo Coelho

Agosto 20, 2009 · 1 Comentário

Me senti ofendida, atacada, subjugada, marginalizada, reduzida, e machucada após ler isso. É revoltante, é nojento.

Será que ninguém se dá conta do quão ridículo é ficar falando da aparências das mulheres na política?

Acho que isso explica muita coisa, principalmente sobre o povo brasileiro e o que ele aprende dentro de casa. Sabe? É imbecil. É nojentinho e muito vergonhoso.

Me faz imaginar que se unhas da Dilma farão com que o trabalho dela seja melhor executado se elas estiverem manicuradas. Saca?

Sifudê. Desculpinha depois não adianta, Marcelo Coelho.

Leiam aqui também, porque a Marjorie escreve sobre isso melhor do que ninguém.

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