Decidi postar sobre minha jornada em São Paulo de quinta a domingo da última semana. Fomos eu e mais dois amigos para a maior cidade do país, onde nenhum de nós havia ido ainda, para assistir o melhor show das nossas vidas: AC/DC.
Nesse primeiro post eu conto sobre o início. Amanhã pretendo postar a parte do show mesmo, e a nossa aventura da volta. Hehe.
Prefácio – A excelente notícia do Bruno
Tudo começou numa noite desprenteciosa do início de outubro deste ano, lendo meus feeds de internet inocentemente antes de dormir.
Uma janelinha do msn piscou; era o Bruno Marques, meu amigo e vizinho de bairro, que quase nunca me chamava para conversar online. Dizia ele “sabe onde eu vou amanhã?”, e eu “não, onde?”, e ele “na FNAC!”. Debochando do meu amigo, retruquei qualquer coisa como “e o que eu tenho a ver com isso…?”, sem entender onde ele queria chegar me contando aquilo, afinal, a FNAC é uma loja bem legal de um shopping aqui de Porto Alegre, mas ainda sim não passa de uma loja. Não entendi porque ele estava me contando que ia lá. Eis que ele pronuncia: “Vou comprar meu ingresso para o show do Ac/Dc em São Paulo!”.
Descobri que aquele era o único ponto de venda de ingressos aqui em Porto Alegre. Como eu não tinha cartão de crédito e nem dinheiro no cartão à vista para comprar pela internet, havia me conformado em não ir neste show, e até

vale-felicidade
já tinha quase chorado por isso. Só que além de me dizer que poderíamos comprar o ingresso aqui na cidade mesmo, o Bruno me contou que poderíamos comprar pela metade do preço, com nossos comprovantes de matrícula. Bem… no outro dia lá estava eu pedindo para minha chefe para me liberar na metade do meu horário de estágio de manhã. Minutos depois eu estava correndo de ônibus até o serviço da minha mãe para pegar dinheiro emprestado com ela. Dali parti para a FNAC, encontrei o Bruno e o Douglas, e passamos três horas e meia numa fila que valeu cada minuto de espera. Às 13h30 daquela tarde eu estava com meu ingresso de estudante para a pista do show que ocorreria dali dois meses.
Para mim aquilo não era um ingresso de show, era um vale-felicidade.
Depois disso foi correria geral. Comprar passagens de avião valiam muito mais a pena do que ir com as excursões de ônibus, porque sairiam o mesmo preço. Optamos pelo vôo, pagando de novos-burgueses-brasileiros-felizes-com-passagens-aéreas-populares (e responsáveis pelo atual congestionamento aéreo). Porém, muito felizes. Depois disso foi um pouco de discussão sobre ‘onde ficar’ já que nenhum de nós havia ido para São Paulo antes. Temendo ficar sem teto por lá, acabei fazendo reservas para nós três (eu, Bruno, Douglas) e mais dois amigos em um albergue – o mais barato e mais perto de estações do metro – com jeitinho cool, mas o qual eu não tinha referência nenhuma. Foi no grito mesmo, tiro no escuro – pelo menos eu consultei o CNPJ para ver se existia, né. Não sou assim tão porra-loca. Algumas semanas depois conheci mais um cara da minha universidade que ia com uns outros seis ou sete amigos e indiquei o mesmo albergue para eles; quando vi, minha reserva lá tinha um contingente de mais ou menos dez soldados indo para o show.
Primeiro dia – Cidade grande e gente nova
Dia 26 de novembro embarcamos, os três mosqueteiros do Jardim Vila Nova, no vôo das 15h da Ocean Air, com destino a Guarulhos. No vôo estavam alguns companheiros que ficariam no albergue conosco, antigos e novos conhecidos do rock de Porto Alegre. Sinceramente, eu não tinha espectativa nenhuma sobre a região para onde estávamos indo, nem das pessoas e nem dos atrativos turísticos; realmente não fazia parte da minha listinha de lugares para se visitar. Mas vou dizer que mordi a língua. Quando aterrissamos – eu, como sempre, me recuperando do mal-estar que sempre me dá nos pousos de avião – fomos direto para uma parada de ônibus que nos levaria de Guarulhos para São Paulo. Dentro do ônibus conhecemos uma moça extremamente simpática que nos deu todas as dicas possíveis e imagináveis sobre transporte na cidade. Anotei tudo – mais por educação do que pela avalanche de dados que ela nos passou (que eu não sabia bem se eram úteis mesmo ou não), mas que mais tarde se provaram extremamente eficientes. Nos despedimos dessa pessoa legal, a Renata, sem nem ter tempo de agradecer direito.
Metade do nosso grupo queria ir direto para o Morumbi ficar na fila, sem rodeios, e estavam com pressa.
Nota mental do momento: xingar o Bruno por não ter tirado foto de um cone de sinalização que vimos enterrado em uma mureta de concreto de um viaduto que cruza a Marginal Tiête. Dava para ver só metade dele para fora, era tipo aquelas cenas que a gente tira foto e manda pro site do Desmotivation.
Nos separamos na estação da Sé ou na Paraíso, não lembro agora. Nós, os três mosqueteiros, fomos para o albergue e o resto foi para o estádio onde aconteceria o show na noite do dia seguinte.
Descendo na estação Brigadeiro, subimos uma rua e chegamos na Treze de Maio. Lá estava o Lime Time Hostel. Os guris não levaram muita fé ao ver a fachada – verde limão -, mas depois que entramos lá o clima mudou drasticamente. A pessoa que fazia o check-in era um americano extremamente simpático, de Los Angeles, que não falava português. Achei o máximo. Ele nos mostrou o albergue, todo muito bonito, equipado com iMacs, uma área nos fundos onde rolava música eletrônica – mais tarde conversei com o dj, um britishguy de Londres bem locão, que gostava de diálogos extensos aos berros na frente da sua pick-up; ele com aquele inglês carregado e eu com inglês gaguejado -, e quartos de beliches confortáveis. Era um lugar limpo, bonito e descontraído. Adorei. Tinha até um cachorro lá, o Gringo, que as gurias gostavam de chamar de IG, por causa da aparência. Depois conheci um australiano bem bonito que trabalhava de barman ali, falava português pelos cotovelos, e sabia de todas as festas para aquela noite.

Douglas, eu, Bruno e o cão Gringo
Após nos acomodarmos eu descobri porque o albergue se chama Lime Time: eles servem uma capirinha de graça para cada hóspede que for ao bar entre as 21 e 21h15. Foi muito engraçado ouvir um cara (até agora não sei se argentino, uruguaio, etc, só sei que era latino e estava lá para treinar luta-livre) sair pela cozinha gritando “Free drinks! Free drinks!”. Haha.
Fiquei no quarto com duas inglesas que gostavam de conversar sobre festas e descobrir novos lugares que não estão nos roteiros turistícos para visitar. Só nessa noite de chegada apareceram essas gurias, dois turcos, nós, quatro goianos, um irlândes e mais duas mineiras. Para mim, que nunca havia ficado em um albergue nesses meus modestos desenove anos de vida, foi o máximo dos máximos essa diversidade de gente convivendo no mesmo espaço durante esses poucos dias.
Saímos andando à esmo pela av. Paulista de noite, junto com os goianos, segurando o nosso suspiro caipira frente as obras de arquitetura moderna daqueles prédios imensos. No fim, fomos parar na rua Augusta. Jantamos comida mexicana e eu decidi que iriamos voltar por outro caminho, para conhecer mais a cidade. Eu era a única garota no meio daquele monte de caras, e estava decidida a comandar a pequena comitiva. Acabei fazendo-os andar o dobro do que o necessário, suar à bicas, morrer de medo andando em cima de um viaduto meio trash (com cara de perigoso), e serem convidados a entrar bares de meretrício. Me assustei com um dos goianos que ficou extremamente bêbado com meia garrafa de Heineken e saiu correndo sem camisa no meio da avenida. Mas é importante ressaltar que não me perdi nenhuma vez nas ruas.
- E só para fazer um adendo, a minha opinão sobre a rua Augusta é a seguinte: ela é a cruza bastarda da Independência com a Lima e Silva que foi enviada à São Paulo afim de que os gaúchos não corrompessem-na com seus ideiais de bares que fecham tarde da madrugada. Porque todos os barzinhos dessa rua fecham à 1h, e as casas noturnas (que fazem jus à palavra ‘alternativa’, bem do jeito que eu gosto) parecem redutos de perdidos da noite que estão mais para ‘pegação’ do que pela festa mesmo.
Enfim… deixa quieto.