-> Minha opinião leve sobre o primeiro livro do rei do cyberpunk!
Esse romance chega a palpitar na nossa frente; à primeira vista até parece uma cópia do roteiro de Blade Runner, faz alusões à temas e situações do filme Matrix, depois ecoa a bizarrice de Star Wars. No fim nos damos conta de que Neuromancer foi escrito antes de todos esses filmes, e muito após os primeiros ensaios sobre tecnologia cybernética. É um mexe-mexe de circuitos, placas de memória, naves, armas ultramodernas, drogas super sofisticadas e cirurgia plástica. Quer trocar a cor da tua pele? Implantar chips com sofwares a fim de expandir tua capacidade intelectual? Adaptar lente de visão raios-X às suas pupilas? Pois tudo isso e muitíssimo mais é possível no futuro previsto por William Gibson em seu romance de estréia.
A Inteligência Artificial, sintetizada em Wintermute (um banco de dados de alta tecnologia que se torna um personagem do livro), se faz presente do inicio ao fim, emprestando um clima de perseguição, onde ninguém é capaz de fugir do “olho-que-tudo-vê”. Um dos meus personagens favoritos é capaz de números incríveis de ilusionismo. Há uma cena fantástica em que ele dá um show em um restaurante, e ele monta todo o cenário de um quarto velho onde ele simula cenas ardentes com o corpo que ele imagina ser, por baixo das roupas, de uma das protagonistas.
O grande lance é o tom narrativo misturado às expressões inusitadas – pouco usuais para a época em que foi lançado – que dão o ar certo para o clima caótico e sujo da vida real, em contraste com o aspecto limpo e pragmático da Matrix (realidade virtual). A mesquinhez dos espaços urbanos na Terra – e fora dela também – entra em conflito com as habilidades necessárias para agir virtualmente. Ainda as drogas são uma pintada de adrenalina, pois não há quase seres humanos “limpos”. Não existe mais dor e nem ambição visual que não seja alcançada… é tudo tão fácil, que se torna fútil o suficiente para a gente pensar que seríamos realmente capazes de tudo aquilo.
Todo o leitor apaixonado deveria ler Neuromancer, assim como todo amante da cultura cyberpunk e todo o profissional de Informática.








