Uma belo dia tu conhece uma pessoa qualquer.
A pessoa rouba um vale-amizade de ti, te conquista, cativa teu carinho, te convence que é boa o suficiente para ter tua consideração, até mesmo te faz lindas homenagens, conhece teus amigos. Vocês começam a sair juntas. Trocam segredinhos. Bebem. Falam mal dos homens, falam bem dos homens. Se preocupam com suas faculdades, comentam seus livros. Vão ao cinema. A pessoa te mostra que é legal. (POXA, as pessoas são boas, gente, é só dar chance).
E tu, na maior boa vontade, junta-a com teu melhor amigo. É a melhor idéia do mundo, genial. E eles se dão bem, começam a ficar, evoluem para um namoro sério, e teu amigo fica eternamente grato, e tu fica satisfeita pela boa-ação, etc, e…
…e lá se vai teu melhor amigo.
Ficam, os dois, os pombinhos, mais de um mês sem falar contigo. De repente – do nada – o melhor amigo aparece e te sequestra numa noite chuvosa para comemorar o aniversário dela. Quando tu estás no auge da diversão na festa, ele te pede para ir embora com ele, e mais: para dizer que foi tu quem quis ir embora ao invés dele, para que ela não fique chateada. E ela fica. E rola uma confusão.
Pronto, mais um mês sem vê-los. Mas o importante: sem vê-lo.
E ele diz que vai embora para outro país no ano seguinte, mas continua demorando mais de uma semana para responder teus e-mails, nunca mais vai te sequestrar na faculdade como era antigamente, para quase te obrigar a ir naquele show legal com ele, para te intimar a ir para casa dele para ficar sem fazer nada além de ver the Big Bang Theory e comer pizza. Tu pintas o cabelo de loiro e ele nem vê; tu te apaixona por um cara meio louco e babaca, e ele nem tá ali para trazer juízo para tua cabeça; tu quer encher a cara de cerveja na beira do Guaíba, mas ele não tá ali para ir contigo. E ele nunca mais faz planos mirabolantes contigo. Só.. some. E ela mal atende teus telefonemas, não quer saber de cinema, nem de tomar um choppinho. Só quer ficar de programinhas na volta dele – provavelmente entre quatro paredes.
E tu liga para os dois, desliga, liga de novo, deixa scrap, manda e-mail. E nada. De nenhum deles.
De repente, num lindo dia de sol, ela vem conversar contigo pela internet. Mal dá oi, nem pergunta como tu tá, e já sai indo direto ao assunto. Te pede um favor, de um jeito muito sutil. Tu sente aquele frio na barriga. E ela diz: “adiciona um aplicativo no orkut para eu ganhar umas coisinhas?.”
Putaquepariu.
- Depois eu faço cara feia para uma amiga minha que sempre diz que eu tenho tendência a gostar de todo mundo, por qualquer motivo. Eu sou facinha, né?
Mas agora eu aprendo. Na marra, mas aprendo.









