Arquivo do Autor para garotacocacola

06
Nov
09

fail/in/love

Foi aberta a temporada Bon Jovi meloso na minha semana, ainda bem que ela tá acabando, e espero que não dure mais.

Não sei se é porque meus dois melhores amigos – sim, os dois! – estão namorando, se é porque eu tenho me sentido bem estudando derivadas e integrais, se é porque as applets do wordpress estão invadindo o espaço onde estou digitando esse texto, se é a liberdade que a falta de dinheiro me deu, se é minha felicidade boba de me apaixonar a cada esquina… Mas eu tenho me sentido bem integrada com o mundo ultimamente, e comecei a entender que nem sempre eu vou ter o que eu quero. O que é uma novidade para mim, já que eu sempre busquei as coisas até o fim. Nunca muito insistente, mas sempre muitoimperativa.

Estou romântica, mas estou apaixonada por um ideal não muito bem definido.

É bom se apaixonar por uma idéia; ela não vai te aborrecer, não vai te ligar de madrugada para te acordar com palavras carinhosas, não vai te fazer esperar pela ligação que nunca vem, não vai te trair, não vai te fazer pensar que é estúpida, não vai te levar a fazer coisas bestas.

Mas como eu queria poder suar num quarto com o ideal.

20
Out
09

pausa para bancar a boba

Então lá estava eu, bem inocente, respondendo e-mails e trovando fiado, lá na biblioteca do Instituto de Física. Para mim era um dia normal. De manhã eu tinha trabalhado no campus do centro, almoçado no RU, e de tarde me mandei pro campus do vale para estudar e esperar as aulas da noite começarem.

Como sempre, eu estava com a cabeça à milhão e ao mesmo tempo sem pensar em nada específico. Nada relevante nessa minha vidinha de classe média baixa, sustentada pelos pais, festinhas bancadas pela bolsa-auxílio da faculdade, e cuja maior preocupação é passar nas disciplinas. Foi no meio dessa onda de tranquilidade  confortável que algo, mais precisamente uma frase, caiu como um marretaço na minha cabeça.

“Sim, ela tá grávida.”

QUÊ?

O que mais me chocou era que isso foi algo que eu sempre esperei da minha amiga. Sério. Não em um aspecto negativo… Mas é estranho ver uma coisa que tu sempre teve como certa, finalmente acontecendo. Explico.

Eu e ela nos conhecemos aos 4 anos. Vizinhas. Um mês de diferença apenas. Nos criamos juntinhas, mesma escola, mesmos amigos, mesmos passeios, mesmas viagens nas férias (eu ficava metade das férias com a família dela, e a outra metade nós duas ficávamos com a minha). Grudadinhas. Até no clube a gente ia junta. Aula de volei, de natação, de dança, escotismo… Às vezes as pessoas confundiam nossos nomes, mesmo que ela fosse uma mulata de cabelo comprido, e eu uma morena de cabelo chanel. Mas haviam fatores em que nós sempre  fomos opostos. Eu ouvia progressivo à exaustão, ela gostava de balançar ao som de um pagodinho. Ela ficava horas torrando no sol, eu andava de camiseta na praia. Ela bebia desde a metade do ensino fundamental, eu entornei a primeira cachaça no meio do ensino médio. Ela tinha vários namoricos, desde os nossos 9 anos. Eu fui beijar a primeira vez com 13. (e só fui beijar de novo com 15!).Ela era muito sociável e conhecia muita gente, eu era mais tímida e demorava para pegar confiança. Ela sempre teve corpaço de parar o trânsito, eu sempre fui gordinha e mais baixa.

Porém, nada disso era impecilho para nossa felicidade juntas. E como fomos felizes. Organizávamos altas festas (na casa dela, claro, que era enoooorme), mentíamos para as pessoas que recém conhecíamos, contavamos histórias mirabolantes de como éramos filhas do mesmo pai, mas não das mesmas mães. Acho que no fundo, a gente queria que isso fosse verdade, sabe? A gente brigava bastante, feito irmãs mesmo, e fazíamos as pazes sem trocar palavra alguma. Planejavamos juntas, marcávamos datas para fazer faculdade, para casar, para viajar, para termos nossos filhos.

Filhos.

Os planos eram o seguinte: só teríamos filhos quando fossemos casadas com homens lindos e perfeitos, tivéssemos nossas casas (grandes e lindas), nossos cachorros, e tivessemos dinheiro para mandar nossas crias juntas para a Disney nas férias.

Mas alguma coisa deu errado. Depois que a gente tava com os dois pés na adolescência, todas aquelas diferenças que tínhamos vieram à tona, e a gente se afastou. Sem brigas, sem nada, de um jeito bem natural. Ela me fez falta em muitos momentos, e houveram coisas terríveis por onde passamos e que eu não tive força o suficiente para aguentar a barra toda ao lado dela. Mas acho que no fundo ela me entende. Isso não significa que ela se tornou menos para mim, pelo contrário; essa distância entre a gente só colabora para nos sentirmos mais próximas  quando nos encontramos.

E agora… ela tá grávida. Mas como? Fui traída! O plano para ter filhos era esse: casada, com emprego, com casa… Hm…Daí eu parei para pensar. Ela já tem tudo isso. Apesar da nossa pouca idade, ela cresceu muito mais rápido que eu. Assim como o primeiro beijo foi mais cedo, a primeira menstruação foi mais cedo, o primeiro porre foi mais cedo. Ela também casou mais cedo, virou adulta mais cedo, e agora,óbvio, vai ter filhos mais cedo. Mas por que é tão estranho? Parece que sou EU quem está grávida. E eu olho para mim: não passo de uma guria! Uma criança aos olhos da maioria das pessoas.

Isso me choca. Mas de alguma forma, eu tô tão feliz que cheguei a chorar ao receber a notícia. Meu deus, um filho! Céus, que loucura. Eu vou ensinar um monte de coisa para essa criança, haha.

Sei lá. já vi muitas primas tendo filhos, muitas amigas de colégio engravidando, assisti tudo de camarote. Só que nunca tinha sentido tal emoção. O que será que tem de diferente?

“Esse vai ser teu primeiro sobrinho, vanessa” disse sabiamente a minha mãe.

É verdade.

Ai, tô muito boba. Hahaha. =D

08
Out
09

odeio ter saudade de alguém

à vezes me dá um arrombo no peito, um nó na garganta, uma saudade danada de coisas que a vida me deu e me tirou.

Eu tenho um limbo de pessoas dentro de mim, pessoas importantes que se foram. Que deixam uma falta imensa, que me marcaram, que me fazem chorar nas horas mais inesperadas quando fico sozinha no meu quarto. Pessoas por quem eu não chorei quando deveria, mas que vão me fazer chorar pro resto da vida. Pessoas que eu vejo nos lugares onde eu constumava conversar com elas. Cheiros que me lembram essas pessoas. Não chega a ser um tormento, mas é a sensação de que eu deveria apreciar tudo na vida ao máximo, antes que acabe. Pessoas que me deixam saudosa.

Mas existe uma pessoa. Uma pessoa que se perdeu de mim e eu me perdi dela. Uma pessoa que ainda existe. Alguém por quem eu choro nas horas mais inesperadas, alguém que eu vejo nos lugares onde a gente conversava, alguém cujo cheiro impregnou na minha alma.

Essa é a pior saudade que se pode existir. É saudades de alguém que não se foi, de alguém que ainda está aí, mas que do contrário dos meus queridos mortos, é vivo, e foi justamente a vida nos separou.

Dá uma tristeza sem tamanho.

Não importa quantas vezes eu me enlouqueça, não importa quantas pessoas caibam no meu coração, não importa quantas criaturas incríveis existam na minha vida. Existe uma, e só uma, que eu sempre vou enxergar por completo, que eu sempre carregarei no meu peito incondicionalmente. Aquele por quem eu acordo toda a manhã e não sei explicar porque isso ainda acontece. Que inexplicavelmente parece tão perto quanto as pessoas que estão encostadas em mim, mas está fisicamente longe.

Não sei, não sei.

Odeio ter saudades de alguém que ainda caminha entre nós, porque é tão fácil sair correndo e vê-lo; e no entanto, algo me impede.]

Odeio coisas simples sendo complicadas. Odeio.

07
Out
09

Por que meninas não gostam de Física?

Resisti um semestre inteiro, até que me dei por vencida e entrei na comunidade do orkut Mulheres na Física. Sempre achei besteira ficar se admitindo mulher que estuda uma ciência exata, sabe? Para mim, nunca me senti menos capaz do que qualquer homem, então por que me auto-destacar por uma coisa que não existia? Até porque, no pouco tempo de faculdade, ainda não sofri nenhum tipo de preconceito vindo dos professores ou dos colegas de sala.

Pois enfim, um dia me dei por conta da importância do fato de mulheres serem raras em cursos de exatas.

Um dia estava eu conversando com um amigo que faz Engenharia Civil. Ele estava comentando de uma garota muito bonita que era colega dele, e que ela “se achava demais” por ser bonita e ir bem na faculdade ao mesmo tempo, só porque está num curso estereotipado como “para homem”.

O que ele me disse foi o seguinte: “As gurias geralmente vão melhor do que os guris nas notas, porque elas se esforçam bem mais do que a gente. Mas nós compensamos com o instinto.”

Pera aí, wtf? Compensa com instinto? Como assim?

Aí se seguiu um longo discurso sobre os homens serem ‘naturalmente’ propensos a ter mais noção de espaço, e ter habilidades superpoderosas e superiores para calcular… Ai, meu fio, só um pouquinho, né? Me poupe. A guria tira A em Álgebra Linear, mas qualquer cara que tirou B continua sendo melhor do que ela só porque, putaquepariu, nasceu homem?

Achei que meu amigo estava falando besteira, mas conversando com outras pessoas descobri que realmente existe esse tipo de pensamento e ele é muito recorrente nos cursos de engenharia. E mais: descobri que na Física também existe isso, só eu que não tinha me dado conta. Reza a lenda que esta é a ciência onde a participação de mulheres tem o crescimento mais lento. E é bem real, eu mesma tenho apenas cinco colegas do sexo feminino.

Mas por que tem tão poucas garotas?

Não sei. Aliás, não consigo chegar num consenso dentro de mim mesma sobre isso.

Mas é fato que existe um estereótipo prontinho para quem faz Física, e esse estereótipo não é correpondente àquilo que ensinam para as meninas desde pequenas. ‘Seja linda’, ‘ande como uma modelo’, ‘aprenda a se maquiar’, ‘valorize seus atributos físicos’, ’seja comunicativa’, ’se mostre cordial com todos’… É muito mais fácil ver eu e minhas colegas andando curvadas (com mochilas lotadas de livros) pelos corredores, com os dedos sujos de giz, os cabelos bagunçados, a testa suada, e nenhum saco para ficar lançando risadinhas agradáveis para os nossos colegas enquanto temos que derivar e construir equações malucas para resolver exercícios doentios. Mas também a gente nunca deixa de dar uma passadinha no banheiro pra pentear o cabelo, passar um gloss, e alongar as costas. Também nunca deixamos de flertar com ninguém (afinal, somos únicas num universo cheio de guris legais e uns muito gatos, temos que aproveitar), e nem de ir em festas. A diferença é que esse tipo de coisa, pré-definida como preocupação feminina primordial, não é o nosso foco. Assim como provavelmente não é das garotas que fazem Letras, Arquitetura, Direito, Medicina – mas que seus cursos permitem que sua própria estereotipação não faça das mulheres um elemento estranho dentro do corpo discente, e nem faz dessas  ‘coisas femininas’ algo tão distante da realidade.

Vivemos, quando pequenas, em um universo que a sociedade cria para nós onde somos direcionadas a sermos sentimentais, apaixonadas. Não há nada de errado em ser assim, o que está errado é conduzirem nossa educação nesta direção. Os garotos são ensinados a serem racionais, frios. Na Física é preciso ser racional e apaixonado, e eu acredito que a combinação destes são essenciais para qualquer carreira. Mas não há muito espaço para humanidade/socialização/diálogo, e por criarem as garotas de modo a serem carinhosas – dóceis – agradáveis, isso soa muito agressivo para a maioria.

Bem, como eu disse, eu realmente não cheguei num consenso geral para responder esta pergunta. Mas vou continuar perguntando por aí, para a galera, e vou pesquisar mais  sobre as mulheres da física por aí.

29
Set
09

woodstock revival e psicodália 2009

Quando eu era pequena e olhava aquelas imagensde gurias com flores na cabeça e cabelo comprido, aqueles caras de roupa colorida e colete, dançando na grama, e até mesmo a galera de roupa de couro e spike nos braços, pálidos,  na televisão, algo me dava uma impressão de identificação muito engraçada. O diferente me atraía de um modo que eu nunca soube explicar. Talvez porque minha mãe, apesar de ser uma das pessoas mais normais que eu conheço, ouvia muito Pink Floyd quando estava grávida. Diz ela que nunca deu bola para esse tipo de música até estar grávida de mim, e também ela nunca mais ouviu depois que eu nasci (não ouviu por vontade própria dela, porque eu sempre escutei bem alto no meu quarto).

Eu sempre fui certinha, cdf, educada, correta, discreta, e coerente. Não bebia, não fumava, não me envolvia com garotos, e ia à igreja todos os domingos. Nunca desobedecia meus pais (muito embora minha mãe discorde), e era rata de biblioteca. Por mim, enquanto tivesse meus livros, minha solidão, música boa, estava tudo bem. As pessoas confiavam em mim por causa disso, eu sempre passava um ar de responsabilidade.

Mas eu tinha um sonho secreto.

Eu queria participar de um daqueles acampamentos doidões que eu via nos filmes, onde todo mundo se amava, onde todo mundo era igual, todo mundo fazia música, sem regras, todos se respeitando. Eu também queria entender porque as pessoas usavam maconha, lsd, álcool, porque faziam tanto sexo. Eu tenho uma mania estranha, quando leio um livro eu faço questão de respirar fundo e sentir tudo aquilo que os personagens estão sentindo; me vejo na pele do ser, me ponho dentro dos sentimentos dele e provo suas sensações. Eu conseguia fazer isso quando os personagens sentiam dor, ciúme, amor, vergonha, felicidade, tristeza, possessão, raiva, etc. Mas eu não conseguia sentir quando eles se sentiam embriagados, quando sentiam tesão, etc.

Anos passaram. A adolescência passou. Eu descobri como eram aquelas sensações. De um modo progressivo e lento, ninguém mais tinha aquela imagem antiga de mim, certinha e sóbria. Nunca fui junkie, daqueles casos extremos, e eu sei que para que isso acontecesse seria muito fácil. Mas passei numa boa, e segui com a vontade de ver meu sonhozinho, de ter um mini-woodstock só para mim.

Aí então, descobri que aqui no Brasil tem um micro-woodstock sim. Vários deles. É só se ligar quando acontecem.

Participei do Psicodália 2009 no carnaval e foi uma das melhores coisas que já me aconteceram. Arrisco dizer que foram os melhores 4 dias dos últimos 2 anos. 96 horas de música, natureza, amizades inesperadas, loucura, paz, e saúde.( Sim, porque eu não espirrei nem ao menos UMA vez lá, e eu sofro de rinite crônica.) Não tem muitas palavras para descrever o que foi aquilo tudo, só sei que foi o máximo de bom.

E tem de novo. Contrariando o que planejava, de ir no carnaval de 2010, este ano acontece no ano novo 2009/2010. e tem Mutantes!

bem, não precisa falar mais muita coisa, né?

Então… eu estava aqui olhando umas fotos do Woodstock de 69, e um pouco antes eu estava lamentando ter nascido depois disso porque eu queria muito ter feito parte, mas pelas imagens eu descobri que a gente está na mesma época de 69. Explico. Nas fotos, as roupas, as expressões, os objetos, são todos os mesmos que eu vejo por aí, nas festas da faculdade, nos acampamentos, em todo o tipo de celebração à nossa diversidade juvenil cultural. Aquelas fotos poderiam ter sido tiradas em alguma edição de qualquer festival do gênero aqui no Brasil. Me senti meio sintonizada com aqueles caras que fizeram história em Bethel.

Enfim, fica minha sugestão para todos aqueles que não sabem o que fazer na noite de ano novo (e nos dias que precedem e sucedem).

[Nunca me esqueço a sensação de segurança naqueles dias que eu fiquei na chácara de São Martinho/SC; todo mundo numa paz infindável, nenhum problema,  nenhum estresse, cada um curtindo seu momento, todos seguindo o mesmo caminho para objetivos diferentes; harmonia.]

Link: www.psicodalia.mus.br

24
Set
09

ficções reais

Ficção baseada em fatos reais.

Um dia eu tenho que escrever um livro de pérolas.

Amiga 1: Mas ele é gordo!

Amiga 2: Nem é nada… tá louca?

Amiga 1: Ele realmente parece um KLB.

Amiga 2: Meo, tu tá doida? Ele é lindo. Olha que jeito de ficar olhando, os olhos dele brilham… Olha os ombros, as pernas… Tem carne ali. Ele é todo quente, sei lá.  – Pausa – Ok, me diz. Eu tô pirando, né?

Amiga 1: Tu tá fudida, lamento.

Amiga 2: Eu sei, que saco. Cara, odeio amor platônico.

Amiga 1: É platônico mesmo?

Amiga 2: É. Nunca tinha visto o guri na vida antes… Mas quando ele entrou na sala meu coração disparou na hora. Desde então não sei nem agir direito quando ele tá perto.

Amiga 1: É, lamento, tu tá fudida mesmo.

Amiga 2: O que eu faço?

Amiga 1: Tu já sabe.

Amiga 2: Não sei, me diz!

Amiga 1: Tu sabe sim.

Dois dias depois…

Ele: Tu não olha as pessoas de frente.

Ela: Claro que eu olho.

Ele: Não. Tu não me encara por mais de cinco segundos.

Ela: Hm… Acho que é impressão tua.

Ele: Não sei, hein.

Ela: Bem, agora eu tenho que ir. A gente se vê. Tchau!

Ok, poderia ter sido assim. Mas não foi. Foi assim:

Ele: Tu não olha as pessoas de frente.

Ela: Claro que eu olho. Eu puxo conversa com todo mundo!

Ele: Não. Tu não me encara por mais de cinco segundos.

Ela: Ok, não encaro mesmo. Não consigo. Mas é só contigo.

Ele:

Ela:

Este é o momento certo para se estabelecer uma pequena tensão. É aquele instante em que tudo faz sentido, em que ela finalmente olha nos olhos dele e o mundo pára e começa a girar em torno deles. Ele chega perto, encosta nela, ela corresponde; o resto a gente já sabe.

Não fosse pelo fato de que os diálogos desse tipo só serem possíveis através de mensageiro instantâneo.

08
Set
09

sobre racismo

Adoro ler o blog do Alex Castro porque sempre me alfineta nos lugares menos esperados da minha vidinha de classe média baixa.

Me dei conta que nunca escrevi sobre racismo, apesar de pensar muito nisso. Eu escuto coisas absurdas todos os dias sobre este assunto, mesmo daqueles que dizem “não sou racista”. Até porque, gente, se vocês perguntarem para todas as pessoas na sua volta num raio de 20m, todo mundo vai dizer que não é racista. Mas por que ainda existem negros sendo espancados do nada, por nada, em qualquer lugar?

Há um ano atrás mais ou menos, eu pensava que meu país não era algo ‘racista’. Sabe? Eu sabia que existiam resquícios, mas nunca tinha me dado conta que, no país do “deixa-pra-lá”, ninguém é santo. E que o racismo se faz muito mais forte do que eu acreditava. Sendo branca, eu nunca poderia ter uma dimensão do que é ser negro. Depois de ler Naomi Wolf e perceber  como o patriarcalismo me prejudica desde sempre, eu comecei a encontrar pontos de parâmetro para ter (somente) uma idéia do que representa você ser pré-definido por uma característica física. Dá para perceber a armadilha que se cerca em torno da pessoa? Você é negro. Isso é uma coisa que nunca poderá ser mudada. Entende? E as pessoas foram educadas a vida toda para sentir pena de você. Para dizer para os filhos que falar “negão” é feio, o certo é “moreninho”. Que antigamente fizeram uma maldade com os negros, mas depois se redimiram ao dar a eles a liberdade nas favelas. Que é bonitinho ter amigos negros para depois dizer “eu não sou racista, tenho até amigos negros e me dou super bem com eles”, enquanto troca de calçada na rua toda a vez que cruza com um cara de pele mais escura (afinal, todo negro é assaltante, né). Que agora estão fazendo um racismo docaraio ao definir cotas nas universidades (afinal, todos são iguais, inclusive os negros, só não sabíamos porque eles não apareciam no campus antes das cotas, vai ver é coincidência eles surgirem agora).

Sabe… Só pelo fato de ser mulher, eu já estou presa no fato de que as pessoas me avaliam pelo meu corpo automaticamente; se boto muita roupa, sou uma idiota que ‘não sei me valorizar’; se boto pouca roupa, sou uma piriguete que quer se aparecer. Se beijo alguém, tô facinha. Se não beijo, sou fazida. Acho que é mais ou menos assim, só que em escala maior, que os negros sentem o preconceito com eles. Nos supermercados e lojas, sempre tem um segurança à espreita; na faculdade, sempre tem alguém olhando torto (“cotista¬¬”). É engraçado que eu já ouvi muito em festa, bem no off, a frase “mas ela é preeeeta!” quando alguém comenta que uma menina chamou atenção por ser bonita (leve em conta que as festas que eu ia alguns meses atrás, tinham predominância de descendentes de europeus em seu público, naquele estilinho brit rock e indie pop feito para loiros e magros).

O problema é que nada vai mudar, e os caras continuarão a ser espancados por nada na rua, se todos nós não nos darmos conta de que racismo existe sim. Enquanto vocês continuarem fazendo cara feia quando alguém levanta o assunto, enquanto continuarem a dizer ‘isso não existe, debater isso é ser preconceituoso’ ou ‘os negros são preconceituoso consigo mesmos’  só faz o país continuar estagnado nessa mentalidade pequena e programada que, sei lá, a Globo constrói (nem vou comentar do ridículo daqueles pseudo-indianos brancos na novela né, uó aquilo).

Eu não espero ver meus filhos brincando com crianças negras para tirar fotos ou dizer “olha só que bonitinho, o mundo não é mais racista”, porque isso já acontece (obs: eu ainda não tenho filhos). Eu espero que quando meus filhos nascerem eles não saibam o significado de “cotas para negros”, que eles não estranhem um presidente negro, um médico negro, que eles não entendam porque antigamente era pejorativo chamar o cara de “preto”. Espero que eles aprendam essas coisas na escola, como parte da história, mas que não seja algo presente no dia a dia deles.

Eu sei que isso não vai acontecer a tempo dos meus filhos nascerem, mas vale a pena expressar minha indignação sobre as pessoas ou seja todo mundo que levantam uma bandeirinha para dizer que racismo não é discutível e faz parte do passado.

Passado uma pinóia.

20
Ago
09

post do Marcelo Coelho

Me senti ofendida, atacada, subjugada, marginalizada, reduzida, e machucada após ler isso. É revoltante, é nojento.

Será que ninguém se dá conta do quão ridículo é ficar falando da aparências das mulheres na política?

Acho que isso explica muita coisa, principalmente sobre o povo brasileiro e o que ele aprende dentro de casa. Sabe? É imbecil. É nojentinho e muito vergonhoso.

Me faz imaginar que se unhas da Dilma farão com que o trabalho dela seja melhor executado se elas estiverem manicuradas. Saca?

Sifudê. Desculpinha depois não adianta, Marcelo Coelho.

Leiam aqui também, porque a Marjorie escreve sobre isso melhor do que ninguém.

17
Ago
09

intimidade

Dia desses eu estava conversando com um grande amigo meu sobre relacionamentos. A minha dúvida era muito franca: por que cargas d’água as pessoas acham a guria fazida quando ela demora para chegar aos finalmentes e por que acham-na vadia se ela faz nos primeiros encontros? Há uma regra para isso? Como duas linhas de raciocínio tão opostas estão presentes na cabeça das pessoas? O que fazer a respeito disso?

Sinceramente, é uma estupidez tão grande ficar se controlando por causa desse tipo de coisa – que a sociedade imbecil joga para dentro das nossas cabeças ao longo da vida. O homem é ensinado que deve ter toda e qualquer mulher que demonstrar interesse nele; a mulher é ensinada que deve se conter até o último segundo. Não ocorre que ambos tem tanto desejo quanto o outro? Enquanto o homem não precisa se obrigar a transar com todas as gurias interessadas nele (porque ALOU o cara pode SIM não estar afim), a mulher também pode estar simplesmente subindo pelas paredes de vontade de levar um beijinho qualquer para algo mais avançado (porque ALOU ela pode SIM ter tanta vontade de fazer sexo quanto qualquer cara que fica excitado com uns amassos). Não entendo e não quero compreender o objetivo dos meninos ao ficar rotulando as garotas pelas suas atitudes em relação a isso. Parece que tudo o que a gente faz é errado.

Outra coisa que eu ouvi desse meu amigo é algo que eu já tinha ouvido antes e lido na internet. Muitas gurias, depois de estarem ficando/saindo com um cara há certo tempo, decidem que é hora de pular de vez para cima de uma cama e saciar suas vontades. Eles se beijam num frenesi louco, arrancam suas roupas, bagunçam todo o lugar onde estão… mas a menina PRECISA que a luz esteja apagada. E a menina PRECISA se esconder embaixo do lençol o tempo todo. E a menina PRECISA que ele vire o rosto na hora de ela se vestir. Muitas pessoas discordam da minha simples opinião, e eu as respeito, assim como gostaria de ser respeitada, but… Eu penso o seguinte. A partir do momento que uma pessoa se tornou tão especial (sortuda?) ao ponto de que VOCÊ decidiu partilhar com ela a coisa mais pessoal que você tem – seu corpo -, a partir do momento em que você vai (literalmente) abrir seu corpo para que outro (literalmente²) entre nele – assim como, da parte do meninos, eles vão se permitir que alguém os tenha dentro de si (literalmente³) – eu não vejo coerência no fato de não se entregar completamente. Se a pessoa com quem você está se propôs a trocar suor com você, beijar você, tocar você, se encostar completamente nas suas curvas, acho que ela confia em você tanto quanto você deveria confiar nela e evitar esse tipo de bixice. Porque, ALOU, ninguém é perfeito. Se você quer uma cena de filme, onde os personagens levantam uma bunda perfeita de cima da cama e a mulher deita ao lado do homem com o lençol estrategicamente cobrindo os peitos (sim, aqueles peitos que o homem provavelmente estava agarrando e esfregando os lábios freneticamente há menos de uma hora atrás) enquanto eles conversam ou fumam, honey, a vida real não é hollywood. Nós somos seres humanos reais, nós temos corpos reais, com particularidades reais. Não tem nada mais feio, mais ofensivo, do que ficar se cobrindo em frente a pessoa com quem você decidiu partilhar a cama. Óbvio que não é preciso namorar, casar, noivar, com a criatura. Não importa se você conhece há três anos, duas semanas, ou cinco horas. A partir do momento que vocês arrancam suas roupas e decidem fazer a coisa mais linda, mais altruísta e verdadeira que existe, não existem mais amarras que façam vocês distantes.Mesmo que não se vejam nunca mais na vida.

Enfim, pensei muito a respeito disso. Sexo é uma troca, e é uma coisa demais. Não precisa ter amor para ter sexo, apesar de que os dois juntos é bem bom. Mas eu acredito que sexo seja a maior e melhor entrega entre duas pessoas, o melhor tipo de relacionamento. Seja ele momentâneo ou não.

Por isso, para mim, a maior estupidez dos homens é julgar a mulher que está com ele pelo tempo que ela demorou para ceder ao sexo. E daí que ela quis de primeira? E daí que ela quis depois de três meses? Cada um tem o tempo que precisa para se sentir à vontade com alguém. E isso pode acontecer rápido ou devagar, depende do entrosamento. Acho que existem homens que perdem uma boa companheira ou a oportunidade de conhecer melhor alguma pessoa fantástica só por tê-la rotulado por uma besteira dessas. (Assim como muitas mulheres devem ter perdido excelentes noites com alguém, só para que o cara não pensasse errado sobre ela).

Em contrapartida, a maior estupidez das mulheres e não se libertarem completamente na hora H. Fazer de luz apagada por vergonha de si, não deixar o cara tocar em certos lugares… Meninas: se alguém, um dia, terminar com vocês por causa de umas espinhas nas costas, ou por causa de celulite, dêem graças a deus. Um anta dessa categoria, que resume uma mulher inteira a um pequeno (e suposto) defeitinho (que ele aprendeu na tv que é feio, mas que nunca contestou os motivos de ser feio),  não merece que você gaste aqueles minutinhos diários suspirando por ele. Sério. Não perca seu tempo.

Moças e rapazes, eu só tenho algo a dizer para vocês: libertem-se.

Até agora nós só temos certeza que a vida só se vive uma vez, e não sabemos por quanto tempo estaremos caminhando pela Terra.

Enjoy ;-)

____________

Edited:

acabei de encontrar isto nos meus feeds, fala quase sobre o mesmo, mas tem uma opinião estranha.

28
Jul
09

alienada e enganada?

Acredito na alienação das pessoas e na busca da felicidade através da ignorância.

O que os olhos não veem, o coração não sente.

Porém, creio piamente que as pessoas devem sim ter consciência desta realidade que se impõe austera sobre suas cabeças; você pode até ignorar fatos, desde que saiba que está os ignorando.

“Quem não se mexe, não sente as amarras que o prendem” já dizia sábia Rosa Luxemburgo. E aí, vem de cada um de nós a vontade ou não de querer fazer alguma coisa a respeito.

Digo tudo isso porque tive uma briga homérica lá em casa sobre o fato de eu ter completo desconhecimento de algumas noticias nos últimos dias (tais como escândalos com esposas de jogadores do time de futebol, etc). Reuniu-se a cúpula lá de casa; reunião de família. O tópico? Discutir comigo o que poderíamos fazer para que eu não fosse mais tão alienada.

Pera aí, o quê?

Alienada?

Na verdade, eles já vinham com a solução pronta e a obrigatoriedade de eu ler a Zero Hora diariamente imposta, mas antes teria que haver uma ceninha, claro, para me convencer do tão prejudicada eu estava ficando sem saber das coisas que acontecem pelo mundo. Mas nem entrarei nos detalhes sórdidos das resoluções dos meus pais, falo só da parte da alienação.

Quem disse que eu sou alienada só  porque não vejo televisão ou leio o jornal local?

Eu escolho o tipo de notícia que eu leio, oras. Não engulo comentário de direitista fanfarrão, nem apoio telejornais onde o homem é sempre um senhor mais velho e a mulher sempre uma jornalista linda, escolhida a dedo. Não. Julgo? Sim, julgo. É muito confortável para todos nós sentarmos a bundinha ali no sofá dia após dia, depois de um dia de trabalho cansativo, e absorver tudo o que nos dizem através da tela de pixels, sem contestar, sem pensar ou criticar aquela informação que estão nos jogando do jeito que bem entendem. Muito confortável. Diria até mesmo relaxante. Deixar que os outros formem nossa opinião (vocês vêem o absurdo que existe no termo “formador de opinião?” nossa, eu vejo muito – aqui em Porto Alegre usam esse termo como se fosse algo super bonito) é deixar que toda nossa cultura, toda nossa experiência individual, nosso senso crítico, sejam jogados na sarjeta, como se todos esses fatores  valham mais só porque vem de outras pessoas. Em outras palavras, é dizer que o outro é mais inteligente que eu só porque ele abre a boca na frente de uma câmera ou porque publicam num jornal as coisas que ele pensa.

Mas minha gente, pera aí. Eu não quero agir como um ruminante cuja vida se resume a pastar no mesmo pasto todo o dia, voltar pro outro lado da cerca quando o fazendeiro conduz, e acabar os dias da preciosa vida servindo de refeição pro mesmo fazendeiro. Ou com um raio caído na cabeça enquanto pasto, sei lá.

Para os meus pais é um absurdo que eu não saiba quem diabos é Nãoseiquem Valverde, Marcelo Tas (agora eu sei porque li no blog da Marjorie), ou que o gugu não está mais no SBT.

Perguntei para eles se eles lembravam quem era Daniel Dantas, ou o que a garota-da-bunda Mayara Tavares  estava fazendo no G8 (além de ter sua presença marcada na história pela sua objetificação e não pela sua luta). Bem, eles não faziam idéia de nada.

Aí eu digo: vocês ficam na de vocês, com o que interessa a vocês, eu fico com as minhas informações. Ok?

Eu ia dizer que eu não condeno ninguém, que todos devem se atentar às notícias que lhe interessam e aos meios de comunicação que lhe convém. Mas sabe, assim eu estaria colaborando para criar mais ruminantes num país em que o pasto é o problema. (pasto, nessa minha alusão ruim, é o tipo de informação que chega às pessoas, é tudo aquilo que elas absorvem. Se você pasta dia e noite no mesmo lugar, não vai ter nem tempo de olhar pros lados e ver que há outras coisas pra se enxergar na vida. Ou que há muitos outros tipos de pasto a sua volta, que podem ser ou não bem mais saborosos do que este a que você está acostumado).

Conforto não é e nunca foi sinônimo de felicidade. Pelo menos, não para mim.

O que olhos não veem o coração não sente. Beleza, perfeito.

Mas você gosta de ser enganado?

Eu não.