Quando eu era pequena e olhava aquelas imagensde gurias com flores na cabeça e cabelo comprido, aqueles caras de roupa colorida e colete, dançando na grama, e até mesmo a galera de roupa de couro e spike nos braços, pálidos, na televisão, algo me dava uma impressão de identificação muito engraçada. O diferente me atraía de um modo que eu nunca soube explicar. Talvez porque minha mãe, apesar de ser uma das pessoas mais normais que eu conheço, ouvia muito Pink Floyd quando estava grávida. Diz ela que nunca deu bola para esse tipo de música até estar grávida de mim, e também ela nunca mais ouviu depois que eu nasci (não ouviu por vontade própria dela, porque eu sempre escutei bem alto no meu quarto).
Eu sempre fui certinha, cdf, educada, correta, discreta, e coerente. Não bebia, não fumava, não me envolvia com garotos, e ia à igreja todos os domingos. Nunca desobedecia meus pais (muito embora minha mãe discorde), e era rata de biblioteca. Por mim, enquanto tivesse meus livros, minha solidão, música boa, estava tudo bem. As pessoas confiavam em mim por causa disso, eu sempre passava um ar de responsabilidade.
Mas eu tinha um sonho secreto.
Eu queria participar de um daqueles acampamentos doidões que eu via nos filmes, onde todo mundo se amava, onde todo mundo era igual, todo mundo fazia música, sem regras, todos se respeitando. Eu também queria entender porque as pessoas usavam maconha, lsd, álcool, porque faziam tanto sexo. Eu tenho uma mania estranha, quando leio um livro eu faço questão de respirar fundo e sentir tudo aquilo que os personagens estão sentindo; me vejo na pele do ser, me ponho dentro dos sentimentos dele e provo suas sensações. Eu conseguia fazer isso quando os personagens sentiam dor, ciúme, amor, vergonha, felicidade, tristeza, possessão, raiva, etc. Mas eu não conseguia sentir quando eles se sentiam embriagados, quando sentiam tesão, etc.
Anos passaram. A adolescência passou. Eu descobri como eram aquelas sensações. De um modo progressivo e lento, ninguém mais tinha aquela imagem antiga de mim, certinha e sóbria. Nunca fui junkie, daqueles casos extremos, e eu sei que para que isso acontecesse seria muito fácil. Mas passei numa boa, e segui com a vontade de ver meu sonhozinho, de ter um mini-woodstock só para mim.
Aí então, descobri que aqui no Brasil tem um micro-woodstock sim. Vários
deles. É só se ligar quando acontecem.
Participei do Psicodália 2009 no carnaval e foi uma das melhores coisas que já me aconteceram. Arrisco dizer que foram os melhores 4 dias dos últimos 2 anos. 96 horas de música, natureza, amizades inesperadas, loucura, paz, e saúde.( Sim, porque eu não espirrei nem ao menos UMA vez lá, e eu sofro de rinite crônica.) Não tem muitas palavras para descrever o que foi aquilo tudo, só sei que foi o máximo de bom.
E tem de novo. Contrariando o que planejava, de ir no carnaval de 2010, este ano acontece no ano novo 2009/2010. e tem Mutantes!
bem, não precisa falar mais muita coisa, né?
Então… eu estava aqui olhando umas fotos do Woodstock de 69, e um pouco antes eu estava lamentando ter nascido depois disso porque eu queria muito ter feito parte, mas pelas imagens eu descobri que a gente está na mesma época de 69. Explico. Nas fotos, as roupas, as expressões, os objetos, são todos os mesmos que eu vejo por aí, nas festas da faculdade, nos acampamentos, em todo o tipo de celebração à nossa diversidade juvenil cultural. Aquelas fotos poderiam ter sido tiradas em alguma edição de qualquer festival do gênero aqui no Brasil. Me senti meio sintonizada com aqueles caras que fizeram história em Bethel.
Enfim, fica minha sugestão para todos aqueles que não sabem o que fazer na noite de ano novo (e nos dias que precedem e sucedem).

[Nunca me esqueço a sensação de segurança naqueles dias que eu fiquei na chácara de São Martinho/SC; todo mundo numa paz infindável, nenhum problema, nenhum estresse, cada um curtindo seu momento, todos seguindo o mesmo caminho para objetivos diferentes; harmonia.]
Link: www.psicodalia.mus.br








