Arquivo para Julho, 2009

28
Jul
09

alienada e enganada?

Acredito na alienação das pessoas e na busca da felicidade através da ignorância.

O que os olhos não veem, o coração não sente.

Porém, creio piamente que as pessoas devem sim ter consciência desta realidade que se impõe austera sobre suas cabeças; você pode até ignorar fatos, desde que saiba que está os ignorando.

“Quem não se mexe, não sente as amarras que o prendem” já dizia sábia Rosa Luxemburgo. E aí, vem de cada um de nós a vontade ou não de querer fazer alguma coisa a respeito.

Digo tudo isso porque tive uma briga homérica lá em casa sobre o fato de eu ter completo desconhecimento de algumas noticias nos últimos dias (tais como escândalos com esposas de jogadores do time de futebol, etc). Reuniu-se a cúpula lá de casa; reunião de família. O tópico? Discutir comigo o que poderíamos fazer para que eu não fosse mais tão alienada.

Pera aí, o quê?

Alienada?

Na verdade, eles já vinham com a solução pronta e a obrigatoriedade de eu ler a Zero Hora diariamente imposta, mas antes teria que haver uma ceninha, claro, para me convencer do tão prejudicada eu estava ficando sem saber das coisas que acontecem pelo mundo. Mas nem entrarei nos detalhes sórdidos das resoluções dos meus pais, falo só da parte da alienação.

Quem disse que eu sou alienada só  porque não vejo televisão ou leio o jornal local?

Eu escolho o tipo de notícia que eu leio, oras. Não engulo comentário de direitista fanfarrão, nem apoio telejornais onde o homem é sempre um senhor mais velho e a mulher sempre uma jornalista linda, escolhida a dedo. Não. Julgo? Sim, julgo. É muito confortável para todos nós sentarmos a bundinha ali no sofá dia após dia, depois de um dia de trabalho cansativo, e absorver tudo o que nos dizem através da tela de pixels, sem contestar, sem pensar ou criticar aquela informação que estão nos jogando do jeito que bem entendem. Muito confortável. Diria até mesmo relaxante. Deixar que os outros formem nossa opinião (vocês vêem o absurdo que existe no termo “formador de opinião?” nossa, eu vejo muito – aqui em Porto Alegre usam esse termo como se fosse algo super bonito) é deixar que toda nossa cultura, toda nossa experiência individual, nosso senso crítico, sejam jogados na sarjeta, como se todos esses fatores  valham mais só porque vem de outras pessoas. Em outras palavras, é dizer que o outro é mais inteligente que eu só porque ele abre a boca na frente de uma câmera ou porque publicam num jornal as coisas que ele pensa.

Mas minha gente, pera aí. Eu não quero agir como um ruminante cuja vida se resume a pastar no mesmo pasto todo o dia, voltar pro outro lado da cerca quando o fazendeiro conduz, e acabar os dias da preciosa vida servindo de refeição pro mesmo fazendeiro. Ou com um raio caído na cabeça enquanto pasto, sei lá.

Para os meus pais é um absurdo que eu não saiba quem diabos é Nãoseiquem Valverde, Marcelo Tas (agora eu sei porque li no blog da Marjorie), ou que o gugu não está mais no SBT.

Perguntei para eles se eles lembravam quem era Daniel Dantas, ou o que a garota-da-bunda Mayara Tavares  estava fazendo no G8 (além de ter sua presença marcada na história pela sua objetificação e não pela sua luta). Bem, eles não faziam idéia de nada.

Aí eu digo: vocês ficam na de vocês, com o que interessa a vocês, eu fico com as minhas informações. Ok?

Eu ia dizer que eu não condeno ninguém, que todos devem se atentar às notícias que lhe interessam e aos meios de comunicação que lhe convém. Mas sabe, assim eu estaria colaborando para criar mais ruminantes num país em que o pasto é o problema. (pasto, nessa minha alusão ruim, é o tipo de informação que chega às pessoas, é tudo aquilo que elas absorvem. Se você pasta dia e noite no mesmo lugar, não vai ter nem tempo de olhar pros lados e ver que há outras coisas pra se enxergar na vida. Ou que há muitos outros tipos de pasto a sua volta, que podem ser ou não bem mais saborosos do que este a que você está acostumado).

Conforto não é e nunca foi sinônimo de felicidade. Pelo menos, não para mim.

O que olhos não veem o coração não sente. Beleza, perfeito.

Mas você gosta de ser enganado?

Eu não.

20
Jul
09

Branco

Gostaria de pautar minha necessidade de escrever nos últimos dias.

mas a necessidade nunca é suprida, nunca é saciada do modo esperado – como sempre nessa vida ingrata a maioria das vezes.

O fato é que tenho sofrido de branco. É, branco. Os esquimós enxergam trocentos tipos de branco, e eu te cito trocentos tipos de branco desse que se parece que se passa comigo agora. Porque uma cor não é o suficiente para expressar a minha incapacidade de transcrever meus sentimentos nos últimos tempos. Tão abstraída das minhas ambições literárias e musicais, eu esqueci quem eu sou por um período em que tentei ser outra. Aconteceu uma coisa engraçada, não sei. Eu sempre quis ser algo, algo que me parecia bom e correto. E aí eu consegui, me tornei aquilo e de repente… TAM! Peraí, não era bem isso que eu queria.

Se eu pudesse ganhar a vida escrevendo e escrevendo, eu o faria. Mas então eu escreveria sobre o quê? (Pense.)

Aí então, vim aqui desabafar que meu mal é carnal, é viceral, é profundo, é profético, é avassalador. Meu mal é o branco. Branco do papel e do editor de texto do computador.