Arquivo para Abril, 2009

21
Abr
09

a maturidade da consciência

Eu perdi minha adolescência. De certa forma, pelo menos.

Meio que com uma dorzinha percebi isso hoje.

Tinha uma ânsia em ser responsável, em provar coisas para as pessoas, em ser a melhor em tudo. Minha juventudezinha foi díficil. Eu lembro dos meus traumas de um jeito tão vívido… Tive muitos problemas com obesidade e claustrofobia; eu me sentia feia, me chamavam de feia na escola, eu nunca fazia amigos. Pensava que morreria solteirona num apartamento cheio de gatos. Era meio frustrante.

Aos 12 anos eu tinha muito mais amigos na internet do que na vida real. As pessoas até gostavm de mim, eu era legal com elas. Mas sempre vinha aquele olhar de pena quando alguém me via. Até hoje nunca entendi. Eu matava aula para ler Agatha Cristie na biblioteca da escola; os professores achavam bonitinho, mas a galera sempre me viu como freak. Bem, até que eles tinham razão, não? Quem mais no mundo mataria aula para sentar escondida no chão da biblioteca?

O cheiro dos livros é uma das minhas lembranças mais vívidas. Era um cheiro doce, de livros velhos. Se espalhava pelos corredores apertados das prateleiras do Instituto de Educação. Eu me embriagava naquele cheiro, pensando que era o aroma mágico de todas as histórias misturadas. Depois de percorrer as estantes com os olhos fechados (sim, eu conhecia os livros de olhos fechados, pelo toque nas saliências de suas lombadas) eu escolhia um livro e levava para a casa. De tarde ia para a Redenção. Enquanto a gurizada jogava futebol e as gurias fofocavam debaixo das árvores, eu lia sentada num banco. Houve uma vez, e isso foi realmente bizarro, em que eu me inscrevi para a equipe de volei do colégio. O pessoal achou a maior piada, mas eu consegui entrar no time (uns 3 anos depois eu joguei na seleção infantil de porto alegre) – apesar de que eu treinei um ano e meio em um clube antes, me preparando. Enfim, sempre que eu queria provar alguma coisa, eu conseguia. Nunca deixei nada pela metade.

Uma parte triste dessa época era que meus pais sempre me trancavam em casa. Eu raramente saia, ou dormia na casa dos meus poucos amigos. Reconheço que sempre fui meio aventureira e esse era o motivo pelo qual meus pais me trancafiavam em casa, só que hoje eu tenho uma ponta de ressentimento; eu poderia ter aproveitado mais.

Costumava ser meio infantil com assuntos da minha idade. Infantil demais. Demorei muito para crescer o pensamento no que dizia respeito às descobertas da adolescência.Muito ingênua. No fim isso foi bom, me poupou da realidade cruel durante um bom tempo.

Eu queria ser popular. Fazia amizade com gente mais velha na internet, até às vezes tornava essas amizades reais. Tive sorte de nunca ter topado com um tarado nem nada, MUITA sorte. Eu tinha ídolos cybernéticos. Blogueiros, escritores, ficwriters, bandas… Eu entrava em contato com todos sempre. Essa parte nunca mudou em mim, só que nessa época eu tinha um quê de desesperada por atenção. Como eu disse, eu queria ser popular. Eu queria que as pessoas me inserissem em seus círculos sociais – para aumentar  meu, lógico – porque me achavam inteligente. Eu tinha na cabeça que eu nunca conseguiria nada pela aparência física, mas pelos livros que eu lia.

Só que um dia eu resolvi crescer. Não sei como começou, mas de repente eu enxerguei tudo claro. Muitas dessas pessoas que eu achava ídolas eram tão humanas quanto eu, e muitas eram mais vulneráveis. Aprendi que para fazer amigos, bastava ser sociável.

Não sei como, mas hoje eu me sinto superior àquela guriazinha estranha de outrora, muito embora eu ainda seja a mesma em muitos aspectos.

Chegando ao final eu vejo a consequência disso:

Queria parecer superior, comecei a trabalhar com 15-16 anos. Por não poder sair como as gurias da minha idade faziam, eu pintava uma situação à parte, falando para mim mesma que pessoas sérias não faziam aquelas coisas. E eu era séria. Demais. Ouvia sempre bandas que não eram a modinha do momento (ok, nessa parte eu acertei, hehe), e gostava de manipular os outros com minhas idéias. Perdi muitos verões de risos.

Agora?

Bem, agora as minhas amigas daquela época estão fazendo justamente o que eu fazia naquele período. E eu? bem, eu ando fazendo aquilo tudo que eu não fiz aos 15!

lele

É maravilhoso descobrir a menina que tem dentro de mim.

E eu não sabia.