
Eu quero ser rockstar para poder sair por aí falando besteira, daí as pessoas darão a desculpa de “ok, ela está chapada”.
Eu quero ser rockstar para não enfrentar fila no cinema, nem no banco.
Eu quero ser rockstar para ficar acordada até o dia amanhecer, sem me preocupar com compromissos matutinos.
Eu quero ser rockstar para ver a vida de longe, de cima de um palco, sem precisar entrar nela de verdade.
Eu quero ser rockstar para que todos me amem.
Eu quero ser rockstar para que todos ouçam o que eu tenho a dizer.
Eu quero ser rockstar porque…
a vida não tem graça sem música, sem beijo, sem sorriso, sem óculos de sol, sem acordes de guitarra, sem um carro rodando na estrada, sem bebida, sem ilusão, sem dinheiro.
Para mim, nada mais basta do que ser isso.
E aí os dias aqui em Porto Alegre passam, ora frios, ora quentes, minha saúde se vira e revira, meus sonhos se vão e depois vêm. Eu sou uma montanha-russa mesmo. Eu não sei o que eu quero, eu não sei quem eu quero. Os carros não passam de borrões no ar, as pessoas são como vidas distantes indo e vindo na minha frente, e eu fico lá, sentada no banco da praça, sem ação nenhuma, vendo todas aquelas vidas – e a minha – passarem. Fico estacionada, atônita com aquela beleza de cores, sem saber como tocar no coração de alguém. De verdade, eu digo. Porque é tão triste quando damos nossa alma e percebemos que talvez não tenha sido como queríamos.
A fumaça do cigarro entra pela minha boca, atravessa os canais que levam aos meus pulmões, e embreaga-os com o amargo frescor da calmaria, que atravessa os poros internos do meu corpo e chega ao meu sangue como um suspiro de extâse e alívio de quem tem a mente e o coração carregados de culpa e solidão. A bebida também é outra que chega ao sangue, mas muito lentamente, uma querida e antiga amiga das horas boas e más, que sabe melhor do que nenhum outro como me embalar nos seus dons de melancolia e leveza. O sujo da cidade não está no lixo das ruas, nem no fedor dos mendigos, ele está dentro dessas vidas que vagam e passam o tempo todo cruzando umas com as outras, cobertas pelas roupas, os corpos e o anonimato. A podridão do ser está justamente em estar sempre em busca de felicidade, e no entanto procura sempre estar… infeliz. Incompleto. Sozinho. Como se alguém tivesse nos ensinado que para estar feliz, deve-se estar acompanhado. Seja do sexo, seja da bebida, seja das drogas. Ninguém está sozinho.
Por isso eu quero ser rockstar.









Perfeito!
=D
Mais uma existencialista no mundo.
Chocar seu individualismo contra esse corpo que se torna as pessoas nos ritmos das megalópoles e uma estratégia retórica interessantíssima para expressar a depressão. Descrever as substancias tóxicas perpetrando nosso organismo, então, é um jogo de palavras do qual adoro.
Quando escrever um livro me dá um pra ler, se for nessa levada!
=)
Me vi muito no seu texto.
^^
Eu fazia tudo isso quando eu era dançarino de queijinho. Tempos de IBIZA Club e assemelhados, viajando pelo interior do RS. O quê será mais fácil? Ser dançarino de queijinho ou ser rockstar?
Vou fazer um post “Quero ser Dançarino de Queijinho”.
vou mandar isso pra uma certa pessoa. perfeito.
tipo, virei tua fã.
MTO BOM !!
Gostei.