Arquivo para Janeiro, 2008

25
Jan
08

mudaram as estações

Eu ouvia essa música quando eu tinha 12 anos e sentia todas minhas sensações nela.

Hoje o que eu ouço é bem diferente, mas essa música continua me deixando atônita de qualquer jeito. “Não desistir nem tentar agora, tanto faz”. Isso faz muito sentido para mim. Talvez eu esteja em transição. Sim, eu estou.

Acordo de manhã e o melhor Coringa que já fizeram no cinema morre. Tá, ok, não foi o Coringa de verdade, mas o cara talentoso que o fez. Em seguida descubro que o Deep Purple vem esse ano de novo. Tá, mas e aí, que diabos uma coisa tem a ver com a outra? Oras, nada. Eu paro e penso: porque eu estou me preocupando com essas notícias? Oras, porque elas estão fazendo parte do meu ano de transição.

Sei não… Só sei que tô cada dia mais fora da casinha.

24
Jan
08

pra ser menos ou mais sincera

Eu olho os dvds jogados aqui por cima da mesa… Eu procuro pelo meu isqueiro, mas minha mãe deve ter jogado-o fora. O cheiro de café fluindo bem por aqui, meus incensos apagados, minha vontade de fumar se esvaindo a medida que passam as horas.

Há roupa suja no cesto, mas eu não quero lavar, há um documento de identidade perdido que não quer aparecer, há fotos espalhadas pelo chão, e há coisas que eu não quero resolver. Palavras que precisam ser ditas, mas que me falta força e coragem para dizer.

Não é que eu venha sendo um pouco alienada dos fatos, não é que eu venho sendo chata, não é que eu venha não me importando mais com os outros. É só um pouco de… solidão.

Eu queria tanto me entender, ser onipresente e descobrir se o que eu penso das pessoas é correto. Por que confiar é tão difícil?

Eu espero com toda a esperança do mundo que exista um lugar onde todas as coisas que eu queira caibam, assim como elas moram e vivem bem dentro do meu coração.

Um dia eu descubro que não posso ter tudo o que eu quero. Que um desejo entra em conflito com o outro, que eu contradigo o que eu prego, que eu sou uma comunista-anarquista que tem ataques de possessão social, que eu não consigo parar essa coisas que chamam “crescer”. E olha que eu tento não crescer, mas a vida não deixa.

Eu era tão feliz… e não sabia amar…”

Amar, se apegar. Por que isso existe?

Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
Longe de você…”

Ok, eu não sei me desapegar. Eu não sei ser sincera, eu não sei olhar nos olhos e dizer com todas as letras o que eu deveria dizer. Eu sei que eu sou relapsa, eu sei que eu sou desligada, eu sei que eu poderia fazer milhares de coisas esse ano além dessa que eu estou em mente…

Talvez eu devesse comer o mingau pelas bordas, fazer as coisas devagar, sem ficar impressionada com tudo o que eu sei que posso fazer. Inevitavelmente uma criança afobada e esquecida, é o que eu sou.

Desculpem se eu venho aqui escrever essas coisas que não parecem ser do estilo do blog, desculpem se eu pareço cada vez mais adolescente… Eu só quero registrar pra mim e pra quem me é importante as coisas que me preocupam nessa fase da vida.

Dinheiro me dá medo. E mais medo me dá o excesso dele do que sua falta.

Talvez fosse melhor eu me aquietar esse ano. Virar motorista de vez, conseguir um emprego fixo, fazer cursinho pré-vestibular… talvez eu devesse largar tudo aqui por um tempo e viajar para longe para me encontrar… talvez eu devesse mesmo é parar de pensar nisso tudo e deixar as coisas rolarem. Com calma, tudo poderá ser feito, eu sei disso.

Bem. Mais um post pessoal e confessionário.

Here we go.

19
Jan
08

Argh, que nojo.

Ai, Deus, tinha um lugarzinho pior para me atirar, não? Tinha que ser logo aqui?

Lá vem eu andando pela Jerônimo de Ornelas, linda e saltitante na minha micro saia e com meus pézinhos abrigados pelo coturno de couro que vai até o joelho (mesmo que estivesse fazendo 30°C) super feliz e cheia de saudades do meu moço. Daí passa um cara normalzinho pela calçada do meu lado. Nada demais não fosse o fato de ele ter a bela idéia de se voltar para mim, com o sorriso mais safado que eu já vi alguém dar e se dignar a falar:

-Que pernas gostosas, isso aí, tem que mostrar! Que vontade de te lamber todinha…

Gente, sério. Ele falou tudo isso no espaço de três passos, cruzando comigo na calçada. Normalmente nessas situações eu nem olho pro lado, finjo que não é comigo. Mas dessa vez ele tinha passado da conta. Ó, se tinha!!! Ainda mais porque há apenas duas horas eu tinha postado no meu flog uma pequena nota à repeito desse tipo de situação no cotidiano das brasileiras. Ninguém mais tem o direito de botar uma roupa legal e que chame a atenção sem precisar passar pelo assédio cretino desses nojentos, que não devem ver/ter mulher há muitos e muitos dias.

Pois então, eu fiquei tão indignada com o cidadão que virei e encarei bem ele e disse (um pouco mais alto do que deveria, para me certificar que a quadra toda ouvisse):

- Pois eu quero que tu MORRA. Queimado vivo.

Olha, até agora eu não sei porque ele não respondeu ou tentou me bater. Sei lá, acho que por essa o maladrinho não esperava. Só sei que umas tias que vinham vindo ficaram me olhando como se eu fosse um monstro, e o carinha que cuida dos carros por ali se matou de rir. Tô nem aí, normal seria o cara passar por mim e, no máximo, dar uma olhadinha, não? Putaqueopariu, precisa falar tudo aquilo? Isso me lembra aqueles camelôs do Centro que berram na rua exatamente tudo aquilo que eles desejariam fazer contigo entre quatro paredes, sem perdoar nenhum detalhe sórdido. É muita palhaçada, credo.

Qualquer dia eu volto e vomito em um deles.

11
Jan
08

BlogBlogs.Com.Br

bem.

Passados os nervosismos pré-provas, agora me resta somente a ansiedade pré-publicação do listão. Eu achava que não me importava mais ter um diploma na mão ou não, ou pelo menos o fatode dizer “ó, eu passei na federal.”, sabe? Agora eu vejo que a opinião alheia muito me importa e que eu sou muito viciada no que os outros dizem e pensam a meu respeito no que toca “capacidade” ou “inteligência”. Apesar de ambos serem coisas completamente relativas.

Eu atiro contra mim mesma o que eu mais desprezo nos seres humanos e descubro que eu sou apenas mais um ser humano contando com a sorte nesse mundo perversamente injusto. os compromissos consigo mesmo, com a família, com os amigos… esse tipo de coisa soterra quem a gente realmente poderia ser se tudo fosse diferente.

Eu penso: como teria sido se eu me recusasse a fazer tal coisa? ou como teria sido se eu me propusesse a fazer tal coisa? se eu trocasse esse por aquele? se eu seguisse meu desejo na hora certa?

Isso implica tantas discussões que eu nem sei listar a mais prováveis. O fato é que… eu estou entrando numa depressão idiota antes mesmo de chegar aos 40 anos, entende? E tudo por causa de uma prova besta que eu me lixo sobre quem passa ou não, e ao mesmo tempo dou todo o valor para se EU passarei ou não. E essa é só a primeira de muitas provações… há coisa muito mais difícil e necessária, e eu aqui fazendo muito barulho por nada.

Falta um mês para o meu aniversário, deve ser meu inferno astral, so pode. Agora também não é o bloqueio criativo que atrapalha o andamento do e-book, e sim meu bloqueio narrativo. Eu estou escrevendo com um estilo completamente diferente e… PORRA QUEM SE IMPORTA?

Que coisa deprimentemente inútil esse post, deus que me livre de mais uma dessas.

Só tenho umas coisas a dizer:

1- ouçam música brasileira, seus metaleirinhos idiotas

2- leiam blogs, vestibulandos, às vezes eles podem lhes salvar numa prova

3- não sejam tão paranóicas, garotas, madem eles para academia também

Bom, era isso. Foi-se minha cota de revolta com o mundo.

be happy and evil.

04
Jan
08

pequeno conto sem finalidade nem lição de moral

 

Meus sonhos bizarros

Eu estava aqui olhando uns arquivos de revisão do Ensino Médio, pois vou fazer a primeira prova para a Federal amanhã, e eis que encontro uns textos um tanto sobrios que eu havia escrito em meados dos meus quatorze anos. Não lembrava de ter uma mente tão sedenta de sangue e tão má e doentia.

Já não me sobra um pingo de satisfação pela minha sede pelo macabro, apesar de eu continuar fã inflexível do Tim Burton e seus amiguinhos. Separei 3 textos e deletei outros 5, cujo conteúdo eu quero esquecer que escrevi. Era de uma época de sonhos sangrentos, que se repetiu ano passado – mas da última vez eu tive o tato de guardar os sonhos para mim e para mais ninguém.

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Meu nome é Lyra. Lyra Black. Antigamente me chamavam de outro jeito, mas algumas coisas me fizeram esquecer deste vergonhoso passado. Alguns dizem que meu nome não passa de uma lenda, outros esperam meu retorno, e ainda há os que acham que eu morri e ressuscitarei. Bem, de fato esses são os que mais se aproximam da verdade. Naturalmente que nunca ressuscitarei, pois da morte ninguém levanta, e é certo que jamais irei andar sob a luz do sol. Muitos especulam sobre meu possível fim, mas a verdade é que todos que tentaram dar cabo em mim jazem na eterna escuridão do nunca amanhecer.

Minha história começa no frio de uma noite sem estrelas. Era eu não mais que uma garota prestes a completar a maioridade, cheia de indagações sobre a vida e com uma trilha extensa de sonhos maravilhosos por realizar, como qualquer outra da minha idade. Sempre radiante cheia de amigos, sem antecedentes duvidosos, nenhum indício de vícios ou mesmo participações em atos sádicos. Vivia como a filha de um promotor público viúvo. Mas algo nessa noite mudaria minha vida para sempre. Ou, melhor dizendo, eu nunca mais teria uma vida. Pelo menos não como o resto das pessoas. E eu nunca quis ser parte do resto mesmo. Eu andava devagar em direção ao prédio que dividia com meu pai, numa rua próxima ao centro da cidade, estava voltando de uma festa que acabara mais cedo que o previsto. Estranhei o silêncio anormal àquela hora da noite, mas mesmo assim segui firme em direção a porta de ferro do prédio. Entrei, as luzes estavam apagadas e tentei acende-las, mas não consegui. Houve uma queda de luz, pensei. Subi os três lances de escada e cheguei à porta de madeira lustrosa do apartamento. Logo veio o primeiro susto. Uma marca de garras emoldurava a maçaneta da porta e um leve ruído soava do lado de dentro, acompanhado de uma respiração ofegante. Pensei em chamar alguém, mas algo me fez mudar de idéia no momento que abria a boca para gritar e encarava o corredor deserto, sem o menor sinal de alguém além de mim. Girei a maçaneta e abri a porta devagar. Um ar sinistro emanava da sala de estar. Entrei aos poucos, procurando fazer silêncio, nem bem sabia o porquê. Tive de conter um grito de terror ao contemplar o corpo sem vida de meu pai atirado no tapete importado, que era o orgulho dele. Seus olhos estavam vidrados, num último gesto de súplica. Estava branco como papel, e eu também devia estar, visto meu susto. Aproximei-me para tocar o corpo gelado, ainda não sabia por que continuava lá dentro – era uma estranha sensação, eu estava agindo diferente do que sabia que agiria normalmente.

Foi exatamente nesse segundo que senti uma mão fria encostar-se ao meu ombro. A última coisa de que lembro depois disto foi uma voz rouca murmurando “O que temos aqui? Uma bela presa…”. E logo após outra voz, esta em um tom mais autoritário, mas não menos pavoroso, dizendo “Não, Queol. Guarde-a.”

Acordei deitada numa pedra. Parecia ter passado dias que eu não usava minhas pernas, mas acabei conseguindo me levantar. Era uma sala circular e escura, sem alguma janela, somente um toco de vela iluminando as paredes escuras. Aos poucos fui me lembrando dos últimos acontecimentos e comecei a gritar. Nesse momento a porta se abriu e uma figura pálida entrou no aposento. Era um homem. Seu cabelo loiro tinha um corte curto e reto, os olhos de um azul claro, quase angelical. As roupas pretas faziam transparecer em dobras um corpo robusto e ligeiramente mais alto que eu. Ele se adiantou e eu emudeci de repente. Ele tocou de leve meus cabelos escuros, espalhados pelas costas, e percorreu com os dedos a extensão de um de meus braços. Agarrou minha mão e, num gesto cavalheiresco, beijo-a.

-Sou Amadan Monserrat – e retornando da reverência, encarando firme o fundo castanho dos meus olhos, pronunciou: – Quer ser minha criança?

Eu não tinha consciência do que estava acontecendo nem do que estava para acontecer. Mas repentinamente compreendi. É impressionante a nossa capacidade para assimilar as coisas quando o alarme que indica “perigo” dentro de nós soa. E rapidamente cheguei a mais simples conclusão: ou eu concordava em ser a “criança”, fosse isso o que fosse, ou não sairia dali viva. Aquelas límpidas órbitas num rosto tão agradável não me enganavam. Algo me dizia que algo grandioso estava prestes a começar.

Sem pensar muito mais, assenti com a cabeça.

Monserrat sorriu serenamente, mostrando os dentes brancos, como um pai sorriria para um filho que aceita dar continuidade a uma tradição familiar. Então subitamente ele me puxou para si, dando-me um abraço forte, aproximando sua pele da minha, numa urgência carnal. Senti seus dedos gelados tocarem meu pescoço afastando fios do meu cabelo, e, sem demora, cravou dois caninos em uma das veias por onde corria meu sangue.

Quando percebi aquilo, tentei me desvencilhar, mas foi em vão. Amadan era muito mais forte que eu. Bebeu meu sangue em pouco tempo, e eu fui me sentindo cada vez mais fraca. Percebi a vida me deixando aos poucos, me preparava para o suspiro final, onde finalmente pudesse encontrar a paz tão desejada pelos mortais. Mas a paz demorava a vir, e aquele processo lento de deixar a vida se ir era cada vez mais doloroso. Virei para o lado e senti Amadan me tocar. Não prestei atenção a sua expressão, somente lancei meus lábios em direção a um corte profundo no braço de meu agressor. Uma necessidade infinita de sugar a essência do que dava vida aquele corpo errante tomou conta de mim. Bebi cada gota que pude do liquido rubro e delicioso que saia daquele corte, como se fosse a última coisa que faria na condição de humana. E de fato foi.

Em menos de um mês eu estava pronta. Amadan se orgulhava de mim como sua cria, e eu me vangloriava de ter sido tão sagaz no inicio. Mas ressentia-me de não poder participar do círculo ativo do clã ainda. Para mim era injustiça, uma veia malkaviana pulsante em meu peito desacordado, uma alma cigana escondida pelos panos ventruescos da minha face e que me inquietava toda a noite quando via-os sair para suas pequenas festas no covil.

Mas minha agitada vida de trevas estava a ponto de começar.

 

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