– Vinde à mim, irmãos, e as palavras d’Ele eu irei lhes transmitir.
O pastor desceu o cajado em direção à platéia num sinal de benção.
– Aleluia, Senhor! – berraram os 12 discípulos enquanto recebiam a graça divina. Com um leve pigarro, o pastor moveu a boca no meio da sua grande barba morena e começou o sermão:
– Deus mandou-nos a bolsa de couro para que possamos carregar nossos
pobres pertences de um modo mais fácil. Deus ensinou aos homens o bom uso do papiro, para que sua mensagem se propagasse através dos tempos. Deus nos deu a graça do disquete para carregarmos os Ensinamentos de forma compacta. Deus disse “E que faça-se a luz para o CD-ROM” e assim nós pudemos queimar os discos de mídia para guardarmos qualquer tipo de dado que conservasse a Sua palavra. E assim foi até os dias de hoje.
– Mas, pastor… – um discípulo tímido se atreveu a interromper.
– Diga, meu filho, se vós achais digna tua pergunta a ponto de cortar a transmissão dos ensinamentos de nosso Deus Pai.
– Er… Bem – o discípulo coçou a cabeça careca enquanto todos os olhares se tornaram para ele – Não sei se é blasfêmia, mas todas as bolsas de couro do deserto conservam no mínimo dois furos, por onde a gente sempre perde pedaços de pão; dois terços de todo nosso papiro se desmanchou com o tempo; os disquetes nunca conseguem abrir os documentos que nós guardamos neles; os cds perdem os dados e se quebram depois de alguns anos… O senhor tem certeza que Deus realmente deseja a conservação da Sua Palavra?
Seguiu-se um coro de “óó” espantado, e o resto dos ouvintes olharam para o pastor com a testa franzida. Mas este não perdeu a compostura, pelo contrário; ajeitou a coluna e soltou um sorriso.
– Exatamente, irmão. Até hoje Deus nunca nos agraciou com um modo de conservar as Escrituras e todos os Ensinamentos que fosse melhor do que as Tábuas Sagradas e as pedras. Sendo esses dois instrumentos por deveras difíceis de carregar nessa árdua peregrinação no deserto, ontem a noite eu recebi uma grande revelação.
Outro coro de “óó”.
- No momento em que eu bebia meu ultimo gole de água e fazia o logoff do meu e-mail, uma mensagem celestial repentinamente se materializou em minha caixa de entrada. Era uma mensagem do Senhor! – ele brandiu as mãos e os discípulos prenderam a respiração – Eu cliquei no título da mensagem e então a Voz Divina ecoou: “Filho, usai o pequeno instrumento com entrada USB que vós carregas junto ao vosso cordão de couro, assim como seus irmãos. Conecte-o e grave Minhas Palavras para toda a eternidade. A essa graça Eu dou o nome de Pendrive. Agora vais e levas a boa nova à todos. Ninguém mais lamentará por bits perdidos nesta Terra Sagrada.”
– Abençoado seja! – exclamaram todos, e beijaram as Pendrives que carregavam em seus cordões de couro.
E assim foi.
Post feito para participar da promoção “Pendrive do Senhor” do blog do Becher.









Olá Vanessa,
Muito bom o seu texto! e boa sorte na promoção!
Abração!
Seu texto ficou bom, Vanessa.
Por que será que todo mundo sempre acha que os textos, blogs, layouts dos outros são melhores que o próprio? A gente quase nunca fica satisfeito com o que faz, né? 
Boa sorte! Até mais.
devéras criativio Senhorita Vanessa
~
mas Jesus com aquele carneiro nas paletas, foi realmente propício pro teu texto.
AUHAUHAUOHAUOHAUOHAUHAO
Hahahahahahahaha! Muito bom! Muito bom mesmo!
Adoro fazer esse tipo de sátira. Mas acredito que uma com a Igreja Católica, em que tudo é pecado, seria melhor.
Sucesso na promoção e um grande beijãozão no olho direito.
P.s.: Justin Timberlake é um bosta.
Muito bom texto… fiquei até envergonhado com a minha singela participação…
Boa sorte!
já ganhou! já ganhou! já ganhou!
Também gostei.
Boa sorte!
Elaine
Que sarro. muito bom mesmo. Parabéns, merecida vitória !!!!
Bjo do Varda.
Muito bom. E seus cordões de couro.