Arquivo para Novembro, 2007

30
Nov
07

Vestidos

Caminha um pouco, olha as vitrines. Os vestidos não são mais os mesmos do tempo da minha avó, eu sei. Mas nada me impede de desejar encontrar um daqueles com gola alta, rendas no peito e nas mangas, barra até o joelho. O charme em não se deixar descobrir ao primeiro olhar, envolvimento com mistério… Isso é coisa do passado. Experimento um vestido preto, do tipo mais recatado que o século XXI pode me oferecer, e no primeiro vislumbre ao espelho eu consigo notar o desenho do meu quadril, o volume exato dos meus seios, os meus ombros brancos. Pouco? Muito? Não sei direito. Só sei que me desanima o fato de que a maioria das peças de hoje mostram de cara tudo o que se tem (visualmente) de melhor no corpo feminino. Uma lástima.

Peço meu hamburguer com batata frita e Pepsi Light. Já começo a imaginar as células de gordura se agitando dentro do meu corpo, as espinhas prestes a despontar na minha testa, a celulite quase detonando minhas coxas. O sangue se engrossando só com a aproximação do garçon com o prato cheio de gordura hidrogenada… Penso nas várias horas de ginástica puxada na academia e de como eu estaria colocando tudo pelo ralo. “Pára, garota! Pára, antes que tu não consigas nem comer o almoço”, adverte a minha consciência. É verdade que uns dias atrás eu comprei um pedaço de pizza de calabresa e acabei não comendo. Por quê? Burrice, eu diria. Mas não. São essas malditas roupas que enchem as lojas que eu mais gosto, que se tornam a maior ambição de menininhas pré-adolescentes. Não é uma paranóia, é só sobrevivência: se eu engordar muito não vou ter como me vestir sem parecer ridícula, posso morrer infartando, etc, etc. E aqueles vestidos marcam tanto a minha cintura…

Só tenho a dizer que as batatas fritas estavam deliciosas, que o hamburguer estava mais ou menos e que meu nível de endorfina aumentou quando eu terminei de comer tudo.

Caminha mais um pouco, olha mais vitrine, namora uns sapatos, e… compra um DOCE DE PELOTAS! Sim! Por que não aumentar ainda mais meu nível de endorfina? Pois bem: ele foi aumentado, com muita satisfação.

Não sei se é ignorância viver com essas paranóias de emagrecer e querer ser igual a uma capa de revista. Há coisas tão boas quanto se sentir desejada, e tem coisas que a gente pode realizar por nós mesmos a curto prazo e que valem muito mais a pena do que viver um sonho utópico. Pequenas coisas, como esse lanche hiper calórico que eu me dei o luxo de ter hoje. Eu me acho mesquinha em me preocupar tanto com a aparência externa, mas é fato o preconceito que existe contra pessoas feias ou gordas. É só olhar essas malditas vitrines. Há coleções para todos os estilos e gostos, com uma constante em comum: todas são roupas com o caimento adequado para pessoas que vestem manequim 36, não há exceções – a não ser em lojas especializadas em tamanhos especiais.

É hipocrisia condenar toda essa leva de garotinhas anorexas. A culpa não é toda delas, nem de seus pais. A culpa é nossa, a culpa é tua, a culpa é minha. Por um acaso os meninos levam Playboys com mulheres que pesam mais de 55kg para dentro do banheiro? Por acaso alguém dá bola para a gordinha nerd da turma? Por acaso existe alguma protagonista de alguma série, filme ou novela que vista manequim acima de 36? Por acaso alguém já viu os peões de uma obra assoviando para uma gordinha? Eu mesma, não consigo encontrar na mente algum ícone gordo que se seja referenciado por sua beleza.

E aí? O que faremos com nós mesmos e com todo esse lixo fast-food e esse ideal magro que jogam na nossa cabeça a torto e a direito? Esses extremos não vivem bem juntos, estaríamos inaugurando o newbarroco life style? Coma McDonalds e tenha o corpo da Jane Fonda?

Francamente. Às vezes eu me envergonho de mim mesma e dos meus colegas de espécie.

Tenham um bom fim de semana.

obs: O hormônio endorfina é o responsável pelo nosso estado de felicidade.

22
Nov
07

catequismo com libertinagem

Trecho de: Catecismo de devoções,  intimidades & pornografia

Vinhos baratos, para
que a embriaguez não
tenha preço, bouquet ou
safra;

lubrificantes, até que se
ganhe a suprema intimidade
do coito;

uma bíblia sagrada, para
rezar os cânticos… e
eventualmente fumar
maconha nas suas páginas;

músculos ou cubos de
goulash e pimenta para
um bom e revigorante
caldo;

chá de boldo para a
proteção dos fígados, embora
o amor por si já nos
garanta a imunidade dos
corpos;

leite de cabra para banhá-
la inteira;

boas cortinas para que o
sol não se vingue contra o
leito.

Ok, eu tinha que postar isso.

Podem ler todo aqui. Próximo post; uma resenha.

Já conheces o Decabeceira?

20
Nov
07

meus 18 anos

 

Tudo começou aqui.

Faltam 3 meses para eu completar 18 anos.

O que eu espero para esse ano da minha vida? Muitas coisas, como qualquer um. Mas no último ano aprendi a não planejar muito, a não esperar grandes coisas de mim mesma. Porque nem tudo o que se quer será realizado.

Desde os 11 anos de idade a minha vida estava planejada: terminaria a escola com 16 anos, passaria no vestibular ainda com 16, me formaria em Jornalismo na Universidade Federal um pouco antes de completar 21; moraria na Europa por um ano; trabalharia bastante e compraria um apartamento na Cidade Baixa; logo faria a faculdade de Física por hobby; e nesse meio tempo viajaria o mundo e cursaria alguma coisa bizarra em algum país que falasse uma língua inútil (um dialeto tribal africano, ou romeno); e então eu namoraria sério, casaria, teria filhos e levaria eles para fazer trabalho voluntário na Ásia e na África.

Sonhadora demais? Não sei.

O fato é que eu terminei a escola com 16 anos, passei somente na PUC, não cursei, fui fazer técnico em Redes de Computadores, comecei a namorar sério no fim dos 15 anos, farei vestibular para Física na Federal, desisti do sonho de ser jornalista e por aí vai.

O que eu espero dos 18 anos que se aproximam? Não sei. Eu fiz tão pouco na vida, viajei muito menos do que eu queria. Já fiquei bêbada vezes suficientes, praticamente nunca usei drogas, já fumei, já escrevi metade de dois romances, nunca fugi de casa, nunca sumi de vista, já perdi grandes pessoas da minha vida para a morte. Para os meus 18 a única coisa certa é o término do meu curso técnico. E a minha maior pretensão é fazer um mês de mochilão no Velho Continente, para depois morar em Londres ou Dublin, estudando e trabalhando.

Minha mãe me disse que o costumeiro sorriso que eu sempre mantive desde que nasci vem sumindo dia após dia. Foi difícil admitir, mas é duro ver que a vida não é tão fácil e às vezes querer algo não basta para alcançá-lo. Já não me sinto tão nova, o tempo corre muito rápido, mesmo pra quem ainda tem 17 anos.

Espero, sinceramente, nos meus 18 anos, fazer muitas festas. Um número que jamais sonhei. Espero conseguir minha carteira de motorista e tirar da garagem o gol branco que me espera há quase cinco anos. Espero continuar amando com a mesma intensidade de sempre. Espero não morrer. Espero ser uma pessoa melhor, com ideais e valores tão nobres quantos os que eu tinha na infância. Espero tomar muita cerveja e comer muito negrinho, sem culpas. Espero votar no político menos corrupto. Espero chegar em casa e não me deparar com mais uma notícia sobre acidentes de grande escala. Espero poder fazer um curso de línguas fora do Brasil e não ser vítima de nenhum massacre de algum gringo depressivo.

Espero, espero. E no entanto não deveria esperar nada.

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Pequena nota:

 

 


55% Geek
55%

Nashville Dating
É, eu sou 55% geek. E isso se deve ao fato de eu ter visto Star Trek com meu pai, lido Duna esse ano e ser viciada em Tolkien. O resto fica por conta da paixão por Lego, conhecimentos em sistemas operacionais e matemática.Denver Dating

17
Nov
07

drink and sexy

sexy and drugs?

Cara, por que a maioria das pessoas precisa de bebidas para chegar ao sexo?

11
Nov
07

dual, duplo, dobro. muito feliz, eu diria

Sinto uma multidão indo e vindo dentro de mim.

São as minhas emoções. Nada desse enjoado hábito de escrever sobre a própria desgraça, sobre a própria depressão. Não há desgraça, não há depressão… somente o desejo emocioante de respirar e deixar tudo fluir, sem conter o mais controverso desejo.

Eu vejo o sol entrar pela porta da minha sacada, mas eu sinto frio. Eu tenho fome, mas não como; eu quero escrever, mas não escrevo. Tenho dentro de mim um coração que palpita duas vezes a mais que o normal, que não encontra em si e nem nessas palpitações uma determinação lógica, afinal, é um coração, não?

“Estava escrito nas estrelas” foi o que eu disse. E de fato continua lá, o meu destino. Não importa se faz chuva, se faz sol: eu quero viver para sentir tudo o que eu sonho.

Que escorram pelo ralo os conceitos sociais moralistas, que escorram por água abaixo meus compromissos, que escorram por água abaixo as correntes que me prendem!

Enfim. Amo, amo, amo e amo. Tudo duas vezes mais, tudo com uma sede cada vez maior.

Eu quero o mundo e o mundo tá aí pra mim. É só pegar.

Nunca foi tão fácil ser feliz.