Garota Coca-Cola

Entradas do Agosto 2007

doidera

Agosto 24, 2007 · 3 Comentários

OK, vou ficar devendo a atualização do Manual por hoje.

Mas eu estava listando aqui na minha mente, as coisas que me fizeram pensar nos últimos dias:

1- Pimp my ride.

Sei lá porque cargas d’água, mas eu não teria coragem de largar meu carro na mão de uns caras sem nem ao menos saber qual a cor que eles vão pintar a lataria. Que doidera.

2-Literatura brasileira do século XXI

Confesso que adoro o estilo da Mayra Dias Gomes, e acho ela linda demais (tanto que a garota está na atual VIP). Mas daí a pintarem a guria de salvadora, ou o símbolo da literatura brasileira jovem, pooooxa! Tem tanta gente aí que já escreveu muitos livros bons nesse início de século, e ainda não fez 25 anos (vide os autores das edições Livros do Mal, que eu ainda não tive a oportunidade de ler nada integralmente ainda)… Acho que a mídia andou extrapolando por aí.

3- Dietas

Eu engordei, quero emagrecer, mas nem faço idéia de como começar. Ansiedade é algo com que eu tenho que conviver, e ainda não dominei. Alguém me indica um regime?

4- Ócio

Odeio o ócio e o trabalho insano. Encarei esses estigmas humanos essa semana e não sei dizer qual é o pior.

Enfim, tô cansada de  nada.

Acho que a TPM misturada com o antialérgico faz isso. Aqui vai um trecho do que eu ando escrevendo por aí.

O painel de controle estava completamente detonado, com telas de plasma destruídas, alavancas arrancadas e manuais de pedra-lua jogados ao chão por todos os cantos. Telescópios manuais estavam partidos em várias partes, pranchetas de alumínio jaziam parcialmente derretidas em cima de circuitos queimados, e o equipamento de busca espacial estava extraviado, totalmente puxado para fora de sua embalagem de segurança, inútil. E um cheiro forte impregnava o ar. Um cheiro que Mira nunca havia sentido, pelo menos não tão forte, e ela sabia exatamente do que se tratava.

         Uma mancha gigantesca de sangue coagulado se estendia por metade do chão da sala. As placas de metal fosco contrastavam imensamente com a substância escura derramada sobre elas, e pingos ainda vermelhos eram possíveis de se enxergar em cima dos painéis destruídos que ainda estavam luminosos. Mas a dois passos de distância é que começava o verdadeiro terror. Os corpos. Os donos do sangue derramado.”

 

Não sei se essa é a melhor parte para postar… Mas aí está o meu arremedo de mistura de política espacial de Frank Herbert, misturado à minha busca frustrada pela genialidade de Isaac Asimov.

Que Alá os abençoe, e a graça do Senhor esteja convosco.

Amém.

 

[oh, god. o mundo caiu e eu me embebedei sem ter bebido]

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Mulheres – Segunda parte incompleta

Agosto 16, 2007 · 3 Comentários

Aqui vai a segunda parte do manual, mas incompletinha.

Ok?

Lá vai:

“MANUAL DE MULHERES – Continuação

Agora que você já conhece os primitivos tipos femininos desta era moderna, irei apresentar-lhes, senhores, a melhor forma de conquistá-los nas mais diversas situações, nos mais diversos lugares.

*Danceteria/ Boate:

Se aquela gata ali dançando no meio da multidão mexeu com seu coração, antes de tomar qualquer atitude, é preciso pensar sobre alguns fatos.

Primeiro; não há modo conhecido de identificar a que tipo citado acima a garota pertence, pois até então você não teve nenhum contato com ela para descobrir qualquer coisa sobre sua personalidade.

Segundo: ela pode estar embriagada. E se você tiver algo com ela nesta noite, corre o risco de decepcioná-la muito e nunca tornar a vê-la novamente. Ou pode ter sorte, se o seu caso for só uma noite mesmo, e desfrutar uma noite maravilhosa com a menina, sem ressentimentos, talvez adicionando um novo número de telefone na sua agenda.

Terceiro e fundamental: certifique-se de que ela não está acompanhada (para a noite não acabar em tragédia).

Depois de ter pensado nesses itens, e se certificado do último, você poderá prosseguir. Primeiro passo? Há duas opções: chegue dançando devagar por ali, se você for cara-de-pau, lógico, ou aguarde até a moça parar com a dança provocante e a siga até o bar, ou espere-a próximo à porta do banheiro. Se você optou pela primeira opção, aconselho-o então a beijá-la na primeira oportunidade (se ela der abertura), caso contrário (se ela te olhou com cara feia), caia fora. Já se você escolheu a segunda opção, o jeito é pegar uma cerveja e aplicar todos seus pontos de carisma. Não comece com o papo de “você é a mais linda de todas” ou qualquer coisa que soe como uma cantada. Por favor! Sem contar que pode ser impossível engatar uma conversa por conta do som alto, mas mesmo assim o jeito é seguir prosseguir, dar a entender que você está interessado. No fim do manual eu postarei uma lista de assuntos para puxar conversa com diversas mulheres, tendo como parâmetro suas vestes. Por fim, se vocês saírem juntos da boate, ou se trocarem telefone (ou mesmo uns beijos), não esqueça de que você está acompanhado de uma mulher, e ela deve ser tratada como tal. Não importa o quanto ela beba, nem o quanto fale de assuntos banais, nem o quanto fume. Ela é uma dama para você e ponto final. Mesmo que você tenha desistido de conquistá-la depois da conversa, ou do beijo.

*Faculdade/ Cursos/ Ambientes de ensino em geral:

Em primeiro lugar, saiba que as pessoas não vão a esses lugares com a intenção de namorar ou qualquer coisa ligada a isso. Ok?

Mas se você acha que encontrou sua alma gêmea na sua turma, ou no corpo da garota da sala ao lado, há três passos que devem ser seguidos religiosamente para conquistá-la. São esses:

a) Reúna o máximo de informações sobre ela. Procure saber quem a conhece, quais são os amigos que vocês têm em comum, que bandas ela mais ouve, qual curso ela faz (se ela não for da sua turma), onde ela vai normalmente, etc.

b) Tente entrar numa roda de conversas em que esteja ela e mais algum amigo que vocês tenham em comum. É um bom momento para mostrar a ela que vocês se interessam pelos mesmos assuntos, que você tem opinião própria, e é um cara legal. Se não houver oportunidade para tal coisa, tente dar um jeito de esbarrar nela na fila do xérox, perguntar sobre o livro que ela está segurando ou comentar algo (de preferência positivo) sobre um professor conhecido. Nessa hora vale até pedir ajuda para outros colegas de confiança armarem alguma inocente situação. Só não vale trancá-la numa sala junto com você, né? Tenha bom-senso.

c) Depois desse contato inicial, cumprimente-a sempre que se cruzarem. E se ela não procurar você para conversar ou algo assim, dê um jeito de puxar papo outras vezes, mostrando que você é sociável e agradável. Só não seja grudento.

d) Depois de realizar esses três primeiros passos, chega a hora da ofensiva verdadeira. Assim que vocês estiverem mais amiguinhos (acredito que você terá o tato para saber se ela está disponível), convide-a para um programa qualquer. Porem, com um detalhe: chame-a para fazer algo em grupo. Não, não estou falando de bacanais nem nada, tá louco? Estou dizendo para convida-la para, por exemplo, ir a um evento junto com você e outros amigos (e se vocês tiverem algum amigo em comum, que de preferência que essa pessoa também esteja por lá), ou ir ao parque no domingo participar de uma roda de violão, etc.

Foi bem sucedido nesses passos? Perfeito! Agora sim você pode disparar algo como “quer ir ao cinema comigo?”, ou alguma cantada bem-elaborada quando vocês se cruzarem nos corredores da faculdade ou etc. Se ela sorrir, o sinal está verde.”

Amanhã tentarei colocar o resto desta parte.

Ouvindo: “Eu vi gnomos”, do Tihuana.

shaushauhsuashua

Música para se chapar no I-Doser.

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mulheres

Agosto 14, 2007 · 2 Comentários

 

 

Há alguns meses (talvez já tenha feito um ano), eu prometi para um grande amigo que faria um guia para ajudá-lo a conquistar as mulheres. Bem… Demorou, mas estou finalmente terminando o guia, e vou postá-lo aqui de dois em dois dias.

Aí vai a primeira parte.

MANUAL DE MULHERES

Por Vanessa Guedes

(SIM SENHORES! E ESCRITO POR UMA MULHER!).

Este pequeno guia didático tem como objetivo auxiliar os seres humanos do sexo masculino que se encontram em maus lençóis quando o assunto da mesa de bar é “mulheres”. Tanto quando a subjetividade do tópico trata apenas de “fodas”, quanto como “namoro”. A seguir, explicaremos passo a passo as maneiras de encontrar, seduzir, e conquistar mulheres. Mas, antes disso, trataremos de informar os principais tipos de mulher que podemos encontrar na região sul da América do Sul, mais especificadamente numa cidade chamada Porto Alegre (o que não significa a inexistência desses tipos femininos em todo o país). Lembrando sempre: a tipologia feminina pode variar, ou até mesmo mesclar uma ou mais características de um tipo ou outro. Portanto, faça uma avaliação esperta.

  1. A DOCE

Esse tipo de garota não é tão difícil de encontrar. Normalmente tem o olhar tímido, um jeitinho só dela de mexer com as mãos – essas sempre com o mais cândido esmalte transparente e o comprimento que torna impossível qualquer futuro arranhão que ela possa fazer em algum homem. Não que ela se mostre selvagem assim, tão de cara, não! Até pelo contrário; ela é realmente “doce” à primeira vista, sempre com aquela vozinha enjoada e aquele ar meigo. Mas se você se viu atraído por um tipo desses, cuidado! Ela não é das mais fáceis de conseguir (apesar de que, em alguns casos, algumas florzinhas e poemas tragam um resultado rápido), mas quanto a conquista saiba que terá para sempre um karma na sua vida. E elas são vingativas, por trás de todo o romantismo pode existir uma secreta habilidade para lidar com, digamos, peixeiras. Se você quer apenas “foda” (ui, termo feio) fique longe dessas.

  1. A MÁRTIR

Quando existe uma mulher capaz de ficar horas e horas contando-lhe sua vida, seus traumas de adolescente, suas frustrações acadêmicas ou profissionais, e ainda sim é capaz de continuar a semana toda se lamentando pelo telefonema que fulano não lhe deu, não se engane: essa é uma verdadeira mártir. O maior conselho que posso lhe dar não é dos mais animadores: caia fora dessa. Acho que não é preciso mais informações. Mas agora, se você realmente se apaixonou por uma garota dessas, então saiba que qualquer coisa que você diga a essa infeliz criatura será sempre motivo para lágrimas caírem, e reclamações virarão parte do seu dia-a-dia. Sabe por quê? Porque as pessoas costumam se aproveitar da ingenuidade dessa moça, e como resultado ela sofre muito, e se tem para onde dirigir suas lamentações, ela não hesitará antes de fazê-lo. Por isso, tome cuidado também.

3. A SEDUTORA

Ela até pode não usar decotes, e nem mesmo possuir uma pintinha no canto da boca. Mas ela tem um belo jeito de caminhar, um olhar irresistível, e um papo que sempre deixa mensagens nas entrelinhas. Sim, estamos falando de uma mulher sedutora, ambígua, com um charme enigmático. Um tipo que qualquer homem deseja ter para si, e ainda sim muito raro nos dias de hoje. Ela sabe provocar na medida certa e nunca te deixa ter certeza das verdadeiras intenções por trás daquele sorriso irônico. Sobre esta mulher, fica apenas um recadinho, tanto para você que se apaixonou por ela de fato, quanto para você que só quer passar umas noites com ela: a melhor forma de conquistá-la é agindo da mesma forma que ela. Isso corresponde a ser enigmático e ambíguo como tal, e nada de ficar babando toda vez que ela passa. Tenha autocontrole!

4. A RESOLVIDA

Mulher do século 21. Ela é segura, independente, sabe o que quer, tem milhões de amigos, dá as respostas certas nas horas certas, e não precisa de ninguém para viver. Isso pode resumir em traços muito gerais uma mulher resolvida – em teoria, a mulher mais difícil de todas. Pois se engana quem acha que a coisa de que ela menos precisa é um homem. Seja para amigo colorido, seja para casar. O que essas mulheres mais necessitam são homens! E homens de verdade. Não existe fórmula para definir a melhor forma de ter este ser super independente. Seja sábio o suficiente para saber derrubar as barreiras que se interpõe entre você e essa mulher, seja qual for seu objetivo.

5. A CARENTE

Esta daí é muito parecida com a já citada “doce”. Embora existam nuances sutis que diferenciam esses dois tipos, uma das diferenças cruciais está na identificação da mulher carente: ela não tem cara, mas aos poucos se revela. É muito fácil vê-la por aí abraçada em seus amigos mais íntimos, ou saindo com qualquer um só para não ficar sozinha. É fácil conquista-la, é só saber usar as palavras e os carinhos certos. Só tome cuidado com as decepções. Não a tenha apenas por uma noite, porque pode ter certeza de que ela vai te ligar SEMPRE que se sentir só. E isso pode acontecer com uma freqüência maior do que se imagina. aindo com quelquer um s mais s. bjetivo.ras que se interpdas verdadeiras intençje. frem muito, e se te, suas frustraç

Essa foi a primeira. Depois de amanhã faremos uma progressão.

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Aborto

Agosto 12, 2007 · 4 Comentários

É puramente ignorante a pessoa que se diz contra a legalização do aborto.

Questões religiosas são nada se pararmos para pensar que, tanto a Bíblia quanto o Corão e etc, são documentos redigidos há milhares de anos, numa época em que não havia sistema de saúde, hospitais, muito menos a tecnologia que dispomos hoje. É ignorante quem não acredita que uma mãe sabe se pode ter ou não o ser que carrega no ventre.

A população cresce, as adolescentes grávidas estão aí, os jovens pais se lixam para o que ocorre com o fruto de seus prazeres. Só quem carrega a criança no ventre sabe que será ela a levar aquele fardo durante nove meses, depois amamentar e dar assistência interruptamente durante os próximos dois ou vinte anos que se seguirão. Covardia é marginalizar o direito da mulher de decidir sobre a vida de seu bebê.

Eu acredito que mais vale uma criança que não nasceu, do que um adulto ou adolescente problemático, renegado, ou que cresceu marginal porque não teve a assistência necessária no seu crescimento.

Essa questão é muito mais séria e complexa do que parece. Muita gente morre enfiando agulha de tricô no próprio útero, ou tomando chazinhos vendidos em feiras, de origem duvidosa, ou mesmo ingerindo remédios fortes para úlcera.

Os dados estão aí, não há o que discutir. Poxa, quantos países por aí já criaram leis favoráveis ao aborto? E o Brasil sempre entra atrasado. Eita, vidinha!

Eu não faria aborto porque não conseguiria viver com a dúvida de quem teria sido no futuro aquela criança que se formou no meu ventre. E mesmo não tendo minha própria casa, e nem grana para sustentar a mim mesma, se eu engravidasse, com certeza meus pais abarcariam as dívidas e dariam apoio integral no que eu precisasse. E se eu quisesse abortar, mesmo tendo estrutura, eu provavelmente teria que usar remédios de origem e fabricação duvidosa, visto que não teria 3 000 reais para desembolsar na bucha em uma clínica decente, pois se eu abortasse não iria pedir dinheiro para os meus pais me ajudarem, porque eles seriam contra.

Agora, o que será daquelas meninas de doze, treze anos, cujas mães também as pariram ainda adolescentes, que engravidam não tendo condições de nem ao menos pensar por si próprias, ou condições financeiras de fazer todas as refeições do dia? E ainda: o que será dos filhos dessas meninas? Pois abortem. Todos eles. Antes que passem fome, ou virem mais um drogado, ladrão, estuprador, ou o diabo à quatro.

Falhas num sistema como o nosso, como essa proibição ridícula do aborto, fazem com que as vilas se proliferem, as famílias se destruam, garotas com futuros brilhantes morram, crianças sejam mariginalizadas.

Não sei se sou muito radical nesse aspecto, mas para mim está tudo claro.

À vocês, que são contra o aborto, eu digo: BANDO DE ESTÚPIDOS.

E tenho dito.

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S.A.

Agosto 9, 2007 · 3 Comentários

 

Sexo Anal, do Luiz Biajoni, é um livro que pode ser adquirido através da internet em formato pdf. Fácil, fácil.

Peguei ele para ler por pura curiosidade, pensando ser um livro, digamos assim, “didático”. Se é que vocês me entendem. Mas qual não foi minha surpresa quando me deparo com uma pura e simples ficção? Sim, sim. É um livro com uma historinha dentro, com a finalidade de qualquer outro livro de ficção; entreter, encorajar a reflexão, divertir. E eu gostei.

Há muita cena de sexo, muita moral indo por água abaixo, velhos tabus trabalhando como reles coadjuvantes de uma história atual, que poderia acontecer com seu vizinho do lado. Nenhum vilão é completamente vilão, nenhum bonzinho é completamente bonzinho, eu diria que se trata de uma visão quase taoísta. Não há herói, porque no mundo real não há heróis, e essa é uma história fiel à nossa realidade. Assim como “a imprensa é marrom”, esse é um livro marrom. Nu e cru, sem floreios.

Traição, sexo, poder, obsessão, e um crime de lambuja.

Entretenimento para uma madrugada toda. E é de graça.

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Neurose feminina

Agosto 5, 2007 · 2 Comentários

 

Botticelli

Cara, tem vezes que eu paro na frente do espelho e vejo AQUELA barriga saliente. Não dá nem para entender como é que eu ando na rua com aquilo. Mas como o programa já está marcado, é melhor começar a me vestir. Bota calça, tira calça… é aquele aperto. As banhas saltam para os lados por cima da cintura. A costura marca aquilo que tem entre as minhas pernas – é, aquilo que toda mulher tem -, bem na virilha, bem justinho, logo ali, como se fosse uma placa dizendo ‘Olha aqui, eu tenho uma %$$#@!’. Sem jeito. Aí a pobre mortal desiste e põe uma saia. Beleza, mas e as pernas à mostra? A depilação não está em dia, não dá tempo de ir até o salão de beleza, então vai na gilete mesmo. Agora vem a blusa. Que cor colocar? Blusinha leve, camisa de botão, ou uma bem justa marcando os seios? Bem, vai na pretinha básica mesmo. Vixi, o aro do sutiã está para fora. E agora? Era o único sutiã preto à disposição! Tá, vai na camisa branca então. Mas deixa a maldita barriga saliente á mostra! Saco. É melhor ficar em casa mesmo.

Bem, quem nunca passou por algo semelhante que jogue a primeira pedra. Isso acontece comigo mais vezes do que eu gostaria. As moças bonitas e perfeitas estão lá nos outdoors e nas revistas, todos os dias nos esfregando na cara que somos reles mortais normais vagando pelo mundo, lutando para ganhar um centésimo perto dos milhões que elas ganham só para sorrir na frente de um holofote. C’est la vie, cherrie. O sonho de abrir o guarda-roupas e ficar linda vestindo até o trapo velho do chão é partilhado por muita gente. A busca por um shape saradinho também. E aí vem as anorexias, as bulimias, os remédios, os antidepressivos, e mais um time de neuroses. E enchem-se os bolsos dos psicólogos e psiquiatras.

É tão gratificante olhar aquelas pinturas medievais e renascentistas – tipo as do Botticelli – onde as curvas acentuadas (sim, as de gordura mesmo) são valorizadas. Num ângulo poético, eu posso me imaginar naquelas pinturas, linda, leve, e solta, dançando nua no campo… ah… Mas no meu tempo, a era da fast food, como membro nato da geração Coca-Cola, eu vivo o terror da celulite e das calças de cintura baixa.

E nem mesmo a nova campanha publicitária da Dove levanta a minha auto-estima tanto quanto meu namorado. É. Toda mulher precisa de um homem que a olhe e diga que é a mais linda de todas. E quando isso vem da boca do homem que você ama, é a melhor coisa do mundo.

Ponto.

Isso vale mais do trinta Miss Universo ganhos.

(Tá, exagerei. Mas tá valendo, né?)

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Momento Sux

Agosto 1, 2007 · Deixe um comentário

Café da manhã da família, 7h30 de segunda-feira.

Minha irmã mais nova saboreando uma torrada à minha frente, minha mãe separando a ração dos cães e meu pai lendo o jornal à minha esquerda. Eis que repentinamente ele me pergunta de supetão:

-Filha, o que é tântrico?

Silêncio.  Ninguém se mexe, só há o barulho do meu engasgo, proveniente do efeito causado pela pergunta inesperada.

Olho para minha mãe em busca de socorro, mas ela só faz sorrir debochada. Minha irmã, coitadinha, tem apenas 10 anos, somente me olha com cara de intrigada, mas esperta o bastante para perceber que “tântrico” não era algo fácil de explicar, ainda mais para o próprio pai. Por fim, eu murmuro com a boca colada na xícara de café:

-Não sei, pai…

-Mas como não sabe? Eu sei que tu sabe. Me diz!

-Já disse que não sei.

Minha mãe se compadece, e intervem:

-Airton, ela não sabe. Depois eu te explico. É algo a ver com ‘aquilo’…

E o assunto pára por aqui.

Alguém merece isso?

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