A garota da Uniban, aquela do vestido, foi expulsa da universidade.
Não dá para acreditar. “A atitude provocativa da aluna buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar.” É isso que está escrito na Folha. Claro, né, aqueles idiotas que estavam fazendo tumulto não estavam praticando nada além do que cidadania. Afinal, ameaçar uma moça de estupro, tentar enfiar celulares com câmera embaixo do vestido dela, chamá-la de puta, fazer baderna, tudo isso são atitudes super coerentes de seres humanos que vivem de acordo com os limites de respeito e integridade do próximo. Não é?
Porque, a gente sabe, desde pequenas nós vemos mulheres semi-nuas para qualquer lado que nós viramos. Essas mulheres atraem os homens, e isso parece ser algo muito positivo, já que as vemos sorrindo o tempo todo e ser bonita significa poder na nossa sociedade. Os homens assoviam para mulheres de decote na rua, porque elas estão mostrando o que elas tem de bonito. Porém, a partir do momento que decidimos que temos um cérebro e vamos usá-lo em benefício da sociedade, para evoluir na vida, chega a hora em que temos que deixar de lado todos os anos de lavagem cerebral que nos fizeram durante a vida, e devemos virar moças recatadas que exibem o mínimo possível de seu corpo. Porque, né, estamos na faculdade, sinal que estamos estudando, e então já não podemos ser sexuais nem nada, somente depósitos de conhecimento ambulante. E ‘ai’ de quem ousar burlar essa norma, rá. Vai ser expulsa da faculdade. Isso depois que a galera do controle dos bons costumes quase te violentar como castigo.
…Francamente.
Essa explusão mostra o absurdo dos pardoxos com que a sociedade constantemente nos desafia ao longo da vida. Eu realmente não entendo aqueles caras e aquelas meninas que estavam xingando a moça pelos corredores, e menos ainda a faculdade que a expulsou. Afinal, a única prejudicada foi a moça. E o que mais me entristece é que isso já não era de se surpreender, porque em qualquer situação sempre é atribuído um mínimo de culpa à mulher. Mesmo sendo ela a vítima de todo o burburinho.
Sério. Essa sociedade me enoja cada dia mais.

Quando eu era pequena e olhava aquelas imagensde gurias com flores na cabeça e cabelo comprido, aqueles caras de roupa colorida e colete, dançando na grama, e até mesmo a galera de roupa de couro e spike nos braços, pálidos, na televisão, algo me dava uma impressão de identificação muito engraçada. O diferente me atraía de um modo que eu nunca soube explicar. Talvez porque minha mãe, apesar de ser uma das pessoas mais normais que eu conheço, ouvia muito Pink Floyd quando estava grávida. Diz ela que nunca deu bola para esse tipo de música até estar grávida de mim, e também ela nunca mais ouviu depois que eu nasci (não ouviu por vontade própria dela, porque eu sempre escutei bem alto no meu quarto).
deles. É só se ligar quando acontecem.








