09
Jun
09

sensacionalismo e esquecimento

[na cara de pau, tentando fazer google bomb com meu blog]

bem galera

enquanto muita gente tá aí procurando por gatinha du surf, putaria na net, traição, asiáticas, etc, e outros colocando ‘5 meses de namoro fulana!’, ‘nossa, tá chovendo’, ‘eu tomo sol dia e noite’, ‘to te eserando, gato’, ‘aprendendo japonês’ no msn, pessoas catando sobre desgraça aéreas que não tem nada a ver com elas… há muitas pessoas precisando de ajuda no norte do país.

procurei por um modo de ajudar, mas não achei.

lembro que quando deu a tragédia de SC, todo mundo se mobilizou. não se falava em outra coisa aqui em Porto Alegre.

mas e quanto ao Piaui e ao Ceará?

saca só:

“No Maranhão, são 112.233 desalojados e 52.657 desabrigados.”

Em SC, se não me engano, eram só 3500.

Poxa, vida. Às vezes eu tenho vergonha por todos nós.

(enfim, amanhã continuo)

LEIAM PELO MENOS UMA:

http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/06/06/no-piaui-moradores-temem-rompimento-de-outra-barragem-756230052.asp

http://www.ariquemesonline.com.br/textos.asp?codigo=5849

22
Mai
09

a bicicleta e o corsa branco

Há tempos que eu escrevo uns contos soltos por aí, mas  nunca publico. Coisa curta, de 5min. Tô postando este agora. Feedback? Seria legal, eu gosto.

Segue abaixo.

______________________________

Domingo frio, tedioso. Eu revirava ali na cama, recém tinha acordado e o primeiro pensamento do dia havia sido ele. A cor do seus cabelos, a suavidade da sua pele, aqueles olhos verdes – que eram lanternas coloridas que piscavam feito leds em meu pensamento o dia inteiro. Levantei, acessei a internet; hoje seria ensolarado. A despeito do anúncio, fiquei em casa assistindo filmes de dor de cotovelo, que era pra eu não me sentir única. Eu tinha parceiras na solidão, mas elas só duravam até o meio do filme, porque no final as mulheres sempre encontravam um par – como se aquilo fosse uma necessidade tão comum a elas, que era natural q sua existência dependesse disso.

Me senti um lixo porque mesmo com todos aqueles pensamentos independentes e feministas, ainda lembrava dele com uma ponta de dor aguda no peito, a garganta embolotada. Vontade de algo que nunca tive antes. Certeza de que era bom, mas a eterna dúvida de que se valia a pena ou não. Fiquei com a sensação de que nunca saberia. Era seguro continuar sem resposta, porque o ‘não’ eu já tinha, e poderia seguir com o que eu já tinha. Mas e se eu obtivesse um ’sim’? E se fosse bom? Em contrapartida, eu sabia que todas as experiencias antigas haviam dado errado. Essa talvez não fosse diferente. Mas e se fosse? Pelo menos por um tempo? Bom, quanto mais alto eu sonhasse, pior seria minha queda quando descobrisse que ele não valia a pena.

Tarde da noite, depois de uma garrafa de vinho e das dispensas dos convites dos amigos; internet. Todos sabemos que msn em madrugada solitária e levemente embriagada é muito perigoso. Mas encarei. Afinal, as únicas pessoas q poderiam estar online numa sexta-feira a noite com certeza estavam numa situação igual (ou pior que) a minha.

Logo de cara uma das minhas amigas havia deixado uma mensagem enquanto eu estava offline. Ela, naturalmente, já havia saído de casa e não estava mais presente na frente de seu computador, mas a mensagem que ela mandou estava ali me esperando.

Um link.

Cliquei no textinho já prevendo onde eu iria parar e respirei fundo antes de ler. Twitter.

Sim, era o twitter dele. Uma das coisas da qual eu mais fugira nos últimos dias. Eu ainda acessava o blog, o fotolog… Lia sobre as opiniões dele, via suas fotos. Mas me recusava a dar uma espiada na parte mais particular de sua vida exposta ao extremo.

Lá, naquela simples pagina, estava o relato completo de seus passos no dia. Onde ele foi, quem ele viu, o que ele fez, o que ele achou de tal noticia… tudo tudo. E, na última entrada da página, havia uma informação que eu não queria ler. Mas já era tarde demais.

Ele estava lá. Lá no lugar onde meus amigos me chamaram pra ir e eu neguei, querendo sofrer, sozinha. Ele estava lá. Se divertindo e interagindo com todos e todas. Sim, todas. Elas tinham a chance de ter uma oportunidade com ele. Uma oportunidade que eu não tinha. Que eu não teria. E não tinha coragem de ter.

Desliguei o computador e fui pra cama. Da cama eu fui para o sofá. Abracei meu cachorro e tentei dormir. Mas não dava.

Repassei toda ‘minha história com ele’ na cabeça, analisando fato por fato. Eu encontrei seu blog por acaso, li suas crônicas e me identifiquei. Vi suas fotos, e me apaixonei. Tentei algumas aproximações, comentando, mandando email, mas ele sempre encontrava meios de me cortar. Notei que ele era muito popular, músico e escritor. Sem contar que parecia um modelo. Olhos verdes, boca carnuda, olhar ingênuo, avassalador. Ombros bem desenhados, peito rígido, pele branca, cabelos cor de ouro velho… O desenho do seu corpo era um risco que eu corria só de olhar. A linha da coluna nua em uma das fotos me fazia estremecer. O pescoço de leite dava vontade de encher de mordidas, marcar, arranhar toda a nuca e as paletas. Longilíneo, sexy, displicente. E arrogante.

Sentei no sofá, liguei a tv. A programação não era nem um pouco entusiasmante, mas permaneci sentada, alienada, durante meia hora.

Olhei para a lua lá fora. Noite clara. Um carro passou buzinando e uma gurizada gritando a letra de uma música que eu adorava, a plenos pulmões. Pois ora, era pra eu estar fazendo este tipo de coisa agora.

Por que eu não estava lá fora?…

A vontade de ir atrás dele tomou conta do meu coração. Eu não podia viver com a dúvida pairando sobre a minha cabeça. Mesmo que eu estivesse parecendo uma psicótica aos meus próprios olhos, agüentar aquela omissão por tanto tempo não faria bem pra minha auto-estima.

Troquei de roupa, tirei as pantufas. Joguei um casaco qualquer em cima da calça jeans surrada e da camisa branca de botões coloridos. Não estava com paciência para me vestir, e já era meio tarde. Eu poderia não encontra-lo lá. Fui de cara limpa – em outro dia eu não conseguiria sair de casa sem um rímel, ainda mais quando eu estava saindo com propósitos daquela natureza. Mas azar. Eu era uma pessoa calma, e estava sentido a sensação de impulso emocional e arrasador pela primeira vez na vida.

Joguei a bolsa dentro do carro e girei a chave impaciente. Provavelmente eu não beberia o suficiente a ponto de não poder conduzir sozinha meu carro sem representar um perigo de vida para mim mesma e para os outros.

Cheguei na rua onde todos estavam. Aparentemente a festa havia acabado. As pessoas estavam na rua, já tinham saído do bar, e tomavam vinho na sarjeta. Rindo, brincando. Alguns tocavam violão, outros entravam nos carros afim de curtir outra festa (ainda dava tempo).

A rua era uma lomba e eu a subia, devagarzinho, procurando onde estacionar, meus amigos e, principalmente, ele.

Não estava encontrando ninguém. Eu estava com lentes, não havia desculpa para não enxergar. Então eles realmente não pareciam estar por ali mesmo.

Até que eu o vi.

Foi estranho. Ele estava andando de bicicleta. De noite, na rua. Na saída da festa. Mas… como assim? Bem, eu sempre me apaixonava pelos caras mais loucos, mas não esperava que esse fosse tanto. De repente não me senti mais tão estranha por estar agindo tão obsessivamente. Havia gente mais louca que eu.

Ele era o centro das atenções. Todo mundo olhava pra ele, apontava pra ele, ria pra ele. Sim, riam pra ele, e não dele. Todas as meninas estavam embasbacadas com aquele modelo de terno e gravata, andando de bicicleta ladeira acima, se exibindo, fazendo palhaçadas. Rindo. Como ele era lindo rindo.

Eu fiquei ali no carro, andando a 10km/h, pensando em como eu chamaria atenção dele no meio de todas aquelas gurias lindas e bem arrumadas. Fiquei por ali, meio passiva, conduzindo o carro de forma apática. Ora olhando para ele – bem lá na frente -, ora olhando pra minha imagem no espelho retrovisor. O que eu tinha de diferente das outras? A resposta estava na minha testa. Nada. Cabelos escuros, olhos escuros, pele clara. O tipinho mais comum encontrado nestas paragens.

Ai, como a vida é cruel.

De repente, pá. Levei um susto. Pisei no freio na hora. Eu havia batido em algo, ou algo havia batido em mim – no meio do devaneio foi difícil distinguir. Desliguei o motor e olhei em volta. A rua inteira havia parado para assistir; agora toda a atenção estava voltada para mim e meu humilde corsa branco. Mas nada me preocupava mais do que a figura que se encontrava parada, com o olhar apavorado, na frente do carro.

– Tu detonou a bike! Tu é louca, guria?

O grito de fúria era, nada mais nada menos, do que dele. Todos olhavam e balançavam a cabeça na minha direção, em tom de desaprovação. Murmúrios de ’só podia ser mulher’ e ‘essa gente bêbada dirigindo’ ecoavam baixinho na volta.

Dei ré, encostei o carro e desci. Não pude deixar de pensar q essa era a pior maneira de encará-lo. Meu deus, como eu havia feito aquilo? Como eu conseguira desviar minha atenção a tal ponto que poderia ter matado alguem?

Por sorte era só uma bicicleta grande que eu via amassada na faixa, recém saída debaixo das minhas cruéis rodas dianteiras.

Dei dois passos na direção dele, que juntava os restos retorcidos da bicicleta.

– Cara, eu… eu… – hesitei um instante que parecia uma eternidade, encarando o corpo dele. De repente ele virou para mim. Aqueles olhos grandes, que antes estavam arregalados, agora estavam calmos e me olhavam de maneira curiosa.

– Hm… tu não tá bêbada. Achei que fosse uma guria descornada, que estivesse indo embora de porre. – Olhou pra mim de cima abaixo – Por que tu fez isso?

– Eu.. não sei. Tu tá bem? Não te vi, desculpa.

– Não me viu?

– É, até que vi, mas de canto. Depois desviei a atenção pra outra coisa. Desculpa mesmo. Te dou uma bicicleta nova. Mas tu tá legal?

Eu estava profundamente constrangida, transtornada, e envergonhada. Minhas mãos tremiam. Eu vi que alguns amigos dele vieram pra cima, pra me xingar ou alguma coisa assim, mas ele fez um gesto com a mão e eles recuaram. Aos poucos o pessoal da rua voltou a fazer suas coisas.

Ele ficou me olhando.

– Entra aí, vou te levar pra casa. Tu não tá bem.

– Hey, claro eu to bem – Que historia era aquela de me levar para casa? – Eu posso levar tua bicicleta pra tua casa, depois pego teu telefone e te dou uma nova. Desculpa por ter estragado tudo. Eu fiquei meio away e…

– Como tu fica away enquanto tá dirigindo numa rua cheia de gente louca correndo de um lado pro outro?’

Fiquei vermelha.

– Vamo lá que eu te levo. Eu não to bêbado.

E com um jeito extremamente superior, ele abriu a porta do passageiro pra mim e tirou as chaves do carro da minha mão. Fiquei parada ali.

– E a bicicleta?’

– Ela pode ficar aí. Ninguém vai querer roubar ela agora.

Entrei e sentei no banco do carona, no meu carro. Ele entrou, botou o cinto e girou a chave.

Era informação demais pra minha cabeça. E eu ainda estava um pouco zonza do vinho.

– Onde tu quer ir?… onde é tua casa?

Fiquei muda. Estava em choque pela sucessão de acontecimentos.

De repente respirei fundo vendo a impaciência dele em aguardar minha resposta, de motor ligado. Então eu ri.

– Sei lá. Pode me levar pra beber em algum lugar.

– Gostei dessa resposta – ele riu também.

Então ele foi dirigindo e me olhou pelo espelho, me encarando.

– Quê foi?

– Hm. Nada. Na verdade… eu sei quem tu é.

Gelei.

– Sim, eu sei. Eu vejo teu ip nos visitantes do meu blog todos os dias. Eu li teus comentários. Eu também li o teu blog e achei o máximo. Mas nunca juntei coragem suficiente pra falar contigo…

Fiquei muda.

– Não vai falar nada?…

Continuei muda.

– Ok, fiz besteira. Eu deveria ter guardado isso pra mim. Agora tu vai achar q eu sou louco.

Eu dei um risinho e respondi:

– Tu anda de bicicleta de noite, na frente de uma festa, eu te atropelo e detono essa bicicleta… eu acho q nós dois somos meio doidos.

Ele sorriu. O sorriso mais lindo que eu já vi na vida.

– Vamos tomar uma cerveja?

– Vamos.

_____________________________

Alguém gostaria de ver uma continuação?

21
Abr
09

a maturidade da consciência

Eu perdi minha adolescência. De certa forma, pelo menos.

Meio que com uma dorzinha percebi isso hoje.

Tinha uma ânsia em ser responsável, em provar coisas para as pessoas, em ser a melhor em tudo. Minha juventudezinha foi díficil. Eu lembro dos meus traumas de um jeito tão vívido… Tive muitos problemas com obesidade e claustrofobia; eu me sentia feia, me chamavam de feia na escola, eu nunca fazia amigos. Pensava que morreria solteirona num apartamento cheio de gatos. Era meio frustrante.

Aos 12 anos eu tinha muito mais amigos na internet do que na vida real. As pessoas até gostavm de mim, eu era legal com elas. Mas sempre vinha aquele olhar de pena quando alguém me via. Até hoje nunca entendi. Eu matava aula para ler Agatha Cristie na biblioteca da escola; os professores achavam bonitinho, mas a galera sempre me viu como freak. Bem, até que eles tinham razão, não? Quem mais no mundo mataria aula para sentar escondida no chão da biblioteca?

O cheiro dos livros é uma das minhas lembranças mais vívidas. Era um cheiro doce, de livros velhos. Se espalhava pelos corredores apertados das prateleiras do Instituto de Educação. Eu me embriagava naquele cheiro, pensando que era o aroma mágico de todas as histórias misturadas. Depois de percorrer as estantes com os olhos fechados (sim, eu conhecia os livros de olhos fechados, pelo toque nas saliências de suas lombadas) eu escolhia um livro e levava para a casa. De tarde ia para a Redenção. Enquanto a gurizada jogava futebol e as gurias fofocavam debaixo das árvores, eu lia sentada num banco. Houve uma vez, e isso foi realmente bizarro, em que eu me inscrevi para a equipe de volei do colégio. O pessoal achou a maior piada, mas eu consegui entrar no time (uns 3 anos depois eu joguei na seleção infantil de porto alegre) – apesar de que eu treinei um ano e meio em um clube antes, me preparando. Enfim, sempre que eu queria provar alguma coisa, eu conseguia. Nunca deixei nada pela metade.

Uma parte triste dessa época era que meus pais sempre me trancavam em casa. Eu raramente saia, ou dormia na casa dos meus poucos amigos. Reconheço que sempre fui meio aventureira e esse era o motivo pelo qual meus pais me trancafiavam em casa, só que hoje eu tenho uma ponta de ressentimento; eu poderia ter aproveitado mais.

Costumava ser meio infantil com assuntos da minha idade. Infantil demais. Demorei muito para crescer o pensamento no que dizia respeito às descobertas da adolescência.Muito ingênua. No fim isso foi bom, me poupou da realidade cruel durante um bom tempo.

Eu queria ser popular. Fazia amizade com gente mais velha na internet, até às vezes tornava essas amizades reais. Tive sorte de nunca ter topado com um tarado nem nada, MUITA sorte. Eu tinha ídolos cybernéticos. Blogueiros, escritores, ficwriters, bandas… Eu entrava em contato com todos sempre. Essa parte nunca mudou em mim, só que nessa época eu tinha um quê de desesperada por atenção. Como eu disse, eu queria ser popular. Eu queria que as pessoas me inserissem em seus círculos sociais – para aumentar  meu, lógico – porque me achavam inteligente. Eu tinha na cabeça que eu nunca conseguiria nada pela aparência física, mas pelos livros que eu lia.

Só que um dia eu resolvi crescer. Não sei como começou, mas de repente eu enxerguei tudo claro. Muitas dessas pessoas que eu achava ídolas eram tão humanas quanto eu, e muitas eram mais vulneráveis. Aprendi que para fazer amigos, bastava ser sociável.

Não sei como, mas hoje eu me sinto superior àquela guriazinha estranha de outrora, muito embora eu ainda seja a mesma em muitos aspectos.

Chegando ao final eu vejo a consequência disso:

Queria parecer superior, comecei a trabalhar com 15-16 anos. Por não poder sair como as gurias da minha idade faziam, eu pintava uma situação à parte, falando para mim mesma que pessoas sérias não faziam aquelas coisas. E eu era séria. Demais. Ouvia sempre bandas que não eram a modinha do momento (ok, nessa parte eu acertei, hehe), e gostava de manipular os outros com minhas idéias. Perdi muitos verões de risos.

Agora?

Bem, agora as minhas amigas daquela época estão fazendo justamente o que eu fazia naquele período. E eu? bem, eu ando fazendo aquilo tudo que eu não fiz aos 15!

lele

É maravilhoso descobrir a menina que tem dentro de mim.

E eu não sabia.

10
Out
08

a mecânica classica

A noite era fria, escura, como todas as noites naquele fim de inverno nas ruas em torno do moinho. A relva em um verde sombreado, escuro tal era a escuridão a que as paragens pertenciam àquela cidade. Os sinos tocavam em seus ouvidos como zumbidos do além; por fora o eco seco dos carros. Os pneus na pista eram meros objetos de raio cuja força centrípeta ninguém poderia enxergar. Porque essas eram coisas que ele não conseguia entender.
Arthur aumentou o volume do som, lembrando que seus tímpanos retumbavam no compasso da frequência que aquela música de 192k mergulhava em seu corpo. Hells Bells que em tudo combinava com o ar de mistério e calor anormal que os trópicos emanavam lá do topo de seu cinturão de latitudes e longitudes. Paralelo 30. Era onde ele estava.
Na sua cabeça passava um turbilhão de pensamentos e lembretes; tais como uma vastidão de elétrons se agitando interminantemente formando uma corrente elétrica cuja tensão não poderia ser medida pelo seu cérebro humano, desprovidos de qualquer ferramenta que os dispositivos de medição dispunham. Meras extensões do corpo que ajudavam a entender as coisas do Universo. Quem diria que ele estaria pronto para aquilo?
Só Deus saberia se as leis descritas por Newton, aquele cabecinha de vento (que definhou no ápice de seus devaneios cósmicos entre anotações sobre alquimia e esoterismo – não passava de um exêntrico), estavam corretamente armazenadas naquele mar de informações que ele pensava ser um hard disk incrustado em seus neurônios. Caminhava a meio passo, mas não muito rápido, e nem um pouco trôpego. Tentava calcular a relação de sua velocidade em referência às outras pessoas que passavam. Será que elas também divagavam sobre a origem do Universo e todos aqueles cálculos para descobrir como Einstein desenvolveu a teoria da relatividade? Depois de um tempo Arthur refletiu que a velocidade da luz era o menor de seus problemas, visto que ele mal conseguia calcular a velocidade que um carro poderia ultrapassar um caminhão em segurança, estando ambos rodando a oitenta quilometros por hora. E essa era a questão que havia o matado na primeira prova. Talvez as pessoas não o entendessem porque suas maiores preocupações fossem do tipo ‘como irei pagar o aluguel esse mês?’ ou ’será que aquela garota gosta de mim também?’. Aquelas hesitações do dia a dia, tão comuns, pareciam muito pequenas para ele.
Depois que se começa uma jornada de medições, de preocupações com forças que não se consegue ver, com manejos de instrumentos que mal se entende o funcionamento intríseco de seus circuitos… tudo vira nada. Os valores se invertem. A vida ganha mais gás, é possível encarar um relacionamento que não deu certo como algo ínfimo perto da grandeza que é o conhecimento que os engenheiros aplicam para construir rodovias, prédios, carros e até monumentos – sendo estes últimos mais obra de engenheiros capazes do que os artistas que os projetaram em suas mentes coloridas, alheias à complexidade dos centros de massa de suas artes que podem curvar e matar um traseunte, caso os engenheiros que levam a obra à cabo não planejem bem a sua disposição e as estruturas que irão a sustentar.
Bem. Eram muitos pensamentos para uma pessoa só.
Não obstante, era tão fácil largar tudo; sair daquele mundinho fantástico de maravilhas e engenhocas que só os amantes da ciência entendiam. Porém, o valor que se ganhava em troca era imenso, tal qual o valor pago por se ater à esse mundinho. Talvez fosse loucura, talvez nem tanto. o preço pago por entender como as coisas funcionam talvez suprisse a vontade de responder as perguntas cruciais de todo o ser humano: de onde viemos? para onde vamos?
Todas essas questões foram quase respondidas por pessoas. Chamamos-as de filósofos, mas na verdade – estudando mais a fundo – eram todos físicos, matemáticos, engenheiros. Talvez as pessoas normais realmente não entendessem a magnitude de um estrela e nem o porquê de estudar os fenômenos naturais; mas Arthur entendia. Por trás de tudo isso havia uma beleza sem fim. Estudar o movimento de um corpo no plano inclinado era só o início de um processo que o faria enxergar além. Olhar para dentro de si, em um átomo; e olhar para todo o Universo, em um sistema de galáxias.
Pensando assim, talvez não fosse tão difícil entender porque algumas pessoas – iluminadas, grandes – decidiam estudar Física.
A viagem de Arthur ia além. O curso que ele estudava não era apenas um curso. Era a resposta para todas as perguntas. Em que outra ciência encontrariamos tal perfeição, tal fantasia, tal realismo, tais maravilhas? E tudo junto!
Porém, a força centrípeta das rodas continuava preocupando-o. Ele sabia que se não entendesse essa parte clássica da mecânica das coisas comuns ao seu redor, ele nunca entenderia o resto. E no resto estava as respostas. Era interessante observar que era muito mais difícil calcular os trabalhos realizados pelas forças do que a relação que havia entre E = mc(c). Coisas grandes são estupendamente mais interessantes; e o interesse desperta curiosidade, que leva ao Conhecimento. Mas que interesse teríamos em calcular o movimento de partículas – que nunca existiram -, o trajeto de corpos sem graça, a força peso de um objeto? Isso eram coisas que ele procurava responder…
O mp4 mudava para uma seleção de músicas que o remetia ao lado negro da lua. Ao lado escuro de seus pensamentos também. Como poderia aquela frequência mudar o ritmo dos impulsos elétricos do seu cérebro e fazer seus músculos relaxarem? Que coisa divina. Deus estava na música, a música estava naquela frequência, e frequÊncia era algo que ele podia calcular. Logo, todos nós poderíamos entender Deus. Por que ele era a ciência para Arthur. E para todos nós.
Mas ninguém sabia além dele e um punhado de pessoas, cujos aspectos estranhos e as preferências acadêmicas as excluíam dos demais. Todo o resto não via Deus, apenas suas crenças. Arthur podia ver Deus naqueles carros cantando pneu, naquela atmosfera onde coisas invisíveis faziam seus elétrons se agitarem e provocava sensação de calor intenso, naquela mariposa voando em torno daquela lâmpada acesa, como se estivesse em órbita – e estava. Tudo em perfeita sintonia. Tudo podia ser medido, experimentado, calculado, desvendado. Tudo era fantástico.
Arthur podia. Ele estava com a faca e quiejo na mão. Um dia ele enxergaria Deus como um todo; só não sabia quando. Mas ele já via os rastros e sombras de sua passagem.
Só bastava passar naquelas malditas provas de Física 1. Tudo o que havia entre ele e Deus eram as Leis de Newton. E esse tampinha não iria destruir seu sonho.
E assim Arthur seguiu andando pela rua, repassando todas as fórmulas e todos os conceitos pra estudar o movimento das coisas mais estúpidas.
E a vida é assim.

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Caraca! A aula de Cálculo rendeu hoje, hein? XD~

14
Mai
08

eu quero ser rockstar

Eu quero ser rockstar para poder sair por aí falando besteira, daí as pessoas darão a desculpa de “ok, ela está chapada”.

Eu quero ser rockstar para não enfrentar fila no cinema, nem no banco.

Eu quero ser rockstar para ficar acordada até o dia amanhecer, sem me preocupar com compromissos matutinos.

Eu quero ser rockstar para ver a vida de longe, de cima de um palco, sem precisar entrar nela de verdade.

Eu quero ser rockstar para que todos me amem.

Eu quero ser rockstar para que todos ouçam o que eu tenho a dizer.

Eu quero ser rockstar porque…

a vida não tem graça sem música, sem beijo, sem sorriso, sem óculos de sol, sem acordes de guitarra, sem um carro rodando na estrada, sem bebida, sem ilusão, sem dinheiro.

Para mim, nada mais basta do que ser isso.

E aí os dias aqui em Porto Alegre passam, ora frios, ora quentes, minha saúde se vira e revira, meus sonhos se vão e depois vêm. Eu sou uma montanha-russa mesmo. Eu não sei o que eu quero, eu não sei quem eu quero. Os carros não passam de borrões no ar, as pessoas são como vidas distantes indo e vindo na minha frente, e eu fico lá, sentada no banco da praça, sem ação nenhuma, vendo todas aquelas vidas – e a minha – passarem. Fico estacionada, atônita com aquela beleza de cores, sem saber como tocar no coração de alguém. De verdade, eu digo. Porque é tão triste quando damos nossa alma e percebemos que talvez não tenha sido como queríamos.

A fumaça do cigarro entra pela minha boca, atravessa os canais que levam aos meus pulmões, e embreaga-os com o amargo frescor da calmaria, que atravessa os poros internos do meu corpo e chega ao meu sangue como um suspiro de extâse e alívio de quem tem a mente e o coração carregados de culpa e solidão. A bebida também é outra que chega ao sangue, mas muito lentamente, uma querida e antiga amiga das horas boas e más, que sabe melhor do que nenhum outro como me embalar nos seus dons de melancolia e leveza. O sujo da cidade não está no lixo das ruas, nem no fedor dos mendigos, ele está dentro dessas vidas que vagam e passam o tempo todo cruzando umas com as outras, cobertas pelas roupas, os corpos e o anonimato. A podridão do ser está justamente em estar sempre em busca de felicidade, e no entanto procura sempre estar… infeliz. Incompleto. Sozinho. Como se alguém tivesse nos ensinado que para estar feliz, deve-se estar acompanhado. Seja do sexo, seja da bebida, seja das drogas. Ninguém está sozinho.

Por isso eu quero ser rockstar.

09
Abr
08

meu tipo de pessoa

Há aquele tipo de pessoa que te prende só com o olhar, que as palavras não bastam para traduzir os longos discursos que se travam através de seus olhos. Há pessoas que te fazem despertar a vontade de falar, de desabafar e pôr tudo para fora. Há pessoas em que o silêncio diz tudo e que os mínimos detalhes te inspiram a confiança mais cega em questão de segundos. Há pessoas com quem a gente conversa infinitamente, que o tempo nunca é suficiente para que todas as coisas sejam ditas. E, como se não bastasse, há aqueles que reúnem todas essas características.

Eu fico pensando, como é fantástica a química que passamos um para o outro. Só pode ser um sexto sentido não sei. Humanos, humanos.

É difícil entender como só de ver a pessoa ou encostar-se a ela, toda essa carga de sensações, impressões e certezas vem à tona. Aquilo fica registrado e reflete a futura relação, é muito doido. Quantas vezes a gente já ouviu “não fui com a cara do fulano”? Esse tipo de primeira impressão é um instinto tão primitivo quanto o de sobrevivência, algo tão intrinsecamente disposto na nossa alma que é impossível se ver livre. Poucas vezes nos enganamos a respeito disso.

Uma das coisas que eu mais valorizo em alguém é a capacidade que a pessoa tem de ficar em silêncio comigo. Se eu me sinto à vontade para ficar ao lado de alguém sem dizer uma única palavra… quer dizer que essa pessoa é um grande amigo em potencial (se já não o for).

Acredito que cada pessoa tenha seu jeito de achar as suas próprias pessoas especiais. Apreciar uma característica em comum àqueles que lhe agradam é uma boa ferramenta para identificar a si mesmo. Às vezes no meio da correria do dia a dia não dá tempo de saber quem realmente somos, mas nossos amigos – e quem nós confiamos – são a chave para vermos quem somos.

Nota: Há quem diga que eu não gosto de algumas pessoas, ou que eu deveria dar mais atenção à aquele ou esse, ou mesmo que eu não tenha tomado as devidas providências com devidos amigos. Isso é crueldade. Quem gosta de mim e me conhece sabe que eu sempre estarei lá quando se menos espera; que eu estarei pronta para fazer o impossível por quem eu amo; que eu sou como o marinheiro que vai e volta, sem um porto certo, sem casa, mas levando o peso da saudade e do amor por aqueles que souberam me cativar.

25
Jan
08

mudaram as estações

Eu ouvia essa música quando eu tinha 12 anos e sentia todas minhas sensações nela.

Hoje o que eu ouço é bem diferente, mas essa música continua me deixando atônita de qualquer jeito. “Não desistir nem tentar agora, tanto faz”. Isso faz muito sentido para mim. Talvez eu esteja em transição. Sim, eu estou.

Acordo de manhã e o melhor Coringa que já fizeram no cinema morre. Tá, ok, não foi o Coringa de verdade, mas o cara talentoso que o fez. Em seguida descubro que o Deep Purple vem esse ano de novo. Tá, mas e aí, que diabos uma coisa tem a ver com a outra? Oras, nada. Eu paro e penso: porque eu estou me preocupando com essas notícias? Oras, porque elas estão fazendo parte do meu ano de transição.

Sei não… Só sei que tô cada dia mais fora da casinha.

24
Jan
08

pra ser menos ou mais sincera

Eu olho os dvds jogados aqui por cima da mesa… Eu procuro pelo meu isqueiro, mas minha mãe deve ter jogado-o fora. O cheiro de café fluindo bem por aqui, meus incensos apagados, minha vontade de fumar se esvaindo a medida que passam as horas.

Há roupa suja no cesto, mas eu não quero lavar, há um documento de identidade perdido que não quer aparecer, há fotos espalhadas pelo chão, e há coisas que eu não quero resolver. Palavras que precisam ser ditas, mas que me falta força e coragem para dizer.

Não é que eu venha sendo um pouco alienada dos fatos, não é que eu venho sendo chata, não é que eu venha não me importando mais com os outros. É só um pouco de… solidão.

Eu queria tanto me entender, ser onipresente e descobrir se o que eu penso das pessoas é correto. Por que confiar é tão difícil?

Eu espero com toda a esperança do mundo que exista um lugar onde todas as coisas que eu queira caibam, assim como elas moram e vivem bem dentro do meu coração.

Um dia eu descubro que não posso ter tudo o que eu quero. Que um desejo entra em conflito com o outro, que eu contradigo o que eu prego, que eu sou uma comunista-anarquista que tem ataques de possessão social, que eu não consigo parar essa coisas que chamam “crescer”. E olha que eu tento não crescer, mas a vida não deixa.

Eu era tão feliz… e não sabia amar…”

Amar, se apegar. Por que isso existe?

Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
Longe de você…”

Ok, eu não sei me desapegar. Eu não sei ser sincera, eu não sei olhar nos olhos e dizer com todas as letras o que eu deveria dizer. Eu sei que eu sou relapsa, eu sei que eu sou desligada, eu sei que eu poderia fazer milhares de coisas esse ano além dessa que eu estou em mente…

Talvez eu devesse comer o mingau pelas bordas, fazer as coisas devagar, sem ficar impressionada com tudo o que eu sei que posso fazer. Inevitavelmente uma criança afobada e esquecida, é o que eu sou.

Desculpem se eu venho aqui escrever essas coisas que não parecem ser do estilo do blog, desculpem se eu pareço cada vez mais adolescente… Eu só quero registrar pra mim e pra quem me é importante as coisas que me preocupam nessa fase da vida.

Dinheiro me dá medo. E mais medo me dá o excesso dele do que sua falta.

Talvez fosse melhor eu me aquietar esse ano. Virar motorista de vez, conseguir um emprego fixo, fazer cursinho pré-vestibular… talvez eu devesse largar tudo aqui por um tempo e viajar para longe para me encontrar… talvez eu devesse mesmo é parar de pensar nisso tudo e deixar as coisas rolarem. Com calma, tudo poderá ser feito, eu sei disso.

Bem. Mais um post pessoal e confessionário.

Here we go.

19
Jan
08

Argh, que nojo.

Ai, Deus, tinha um lugarzinho pior para me atirar, não? Tinha que ser logo aqui?

Lá vem eu andando pela Jerônimo de Ornelas, linda e saltitante na minha micro saia e com meus pézinhos abrigados pelo coturno de couro que vai até o joelho (mesmo que estivesse fazendo 30°C) super feliz e cheia de saudades do meu moço. Daí passa um cara normalzinho pela calçada do meu lado. Nada demais não fosse o fato de ele ter a bela idéia de se voltar para mim, com o sorriso mais safado que eu já vi alguém dar e se dignar a falar:

-Que pernas gostosas, isso aí, tem que mostrar! Que vontade de te lamber todinha…

Gente, sério. Ele falou tudo isso no espaço de três passos, cruzando comigo na calçada. Normalmente nessas situações eu nem olho pro lado, finjo que não é comigo. Mas dessa vez ele tinha passado da conta. Ó, se tinha!!! Ainda mais porque há apenas duas horas eu tinha postado no meu flog uma pequena nota à repeito desse tipo de situação no cotidiano das brasileiras. Ninguém mais tem o direito de botar uma roupa legal e que chame a atenção sem precisar passar pelo assédio cretino desses nojentos, que não devem ver/ter mulher há muitos e muitos dias.

Pois então, eu fiquei tão indignada com o cidadão que virei e encarei bem ele e disse (um pouco mais alto do que deveria, para me certificar que a quadra toda ouvisse):

- Pois eu quero que tu MORRA. Queimado vivo.

Olha, até agora eu não sei porque ele não respondeu ou tentou me bater. Sei lá, acho que por essa o maladrinho não esperava. Só sei que umas tias que vinham vindo ficaram me olhando como se eu fosse um monstro, e o carinha que cuida dos carros por ali se matou de rir. Tô nem aí, normal seria o cara passar por mim e, no máximo, dar uma olhadinha, não? Putaqueopariu, precisa falar tudo aquilo? Isso me lembra aqueles camelôs do Centro que berram na rua exatamente tudo aquilo que eles desejariam fazer contigo entre quatro paredes, sem perdoar nenhum detalhe sórdido. É muita palhaçada, credo.

Qualquer dia eu volto e vomito em um deles.

11
Jan
08

BlogBlogs.Com.Br

bem.

Passados os nervosismos pré-provas, agora me resta somente a ansiedade pré-publicação do listão. Eu achava que não me importava mais ter um diploma na mão ou não, ou pelo menos o fatode dizer “ó, eu passei na federal.”, sabe? Agora eu vejo que a opinião alheia muito me importa e que eu sou muito viciada no que os outros dizem e pensam a meu respeito no que toca “capacidade” ou “inteligência”. Apesar de ambos serem coisas completamente relativas.

Eu atiro contra mim mesma o que eu mais desprezo nos seres humanos e descubro que eu sou apenas mais um ser humano contando com a sorte nesse mundo perversamente injusto. os compromissos consigo mesmo, com a família, com os amigos… esse tipo de coisa soterra quem a gente realmente poderia ser se tudo fosse diferente.

Eu penso: como teria sido se eu me recusasse a fazer tal coisa? ou como teria sido se eu me propusesse a fazer tal coisa? se eu trocasse esse por aquele? se eu seguisse meu desejo na hora certa?

Isso implica tantas discussões que eu nem sei listar a mais prováveis. O fato é que… eu estou entrando numa depressão idiota antes mesmo de chegar aos 40 anos, entende? E tudo por causa de uma prova besta que eu me lixo sobre quem passa ou não, e ao mesmo tempo dou todo o valor para se EU passarei ou não. E essa é só a primeira de muitas provações… há coisa muito mais difícil e necessária, e eu aqui fazendo muito barulho por nada.

Falta um mês para o meu aniversário, deve ser meu inferno astral, so pode. Agora também não é o bloqueio criativo que atrapalha o andamento do e-book, e sim meu bloqueio narrativo. Eu estou escrevendo com um estilo completamente diferente e… PORRA QUEM SE IMPORTA?

Que coisa deprimentemente inútil esse post, deus que me livre de mais uma dessas.

Só tenho umas coisas a dizer:

1- ouçam música brasileira, seus metaleirinhos idiotas

2- leiam blogs, vestibulandos, às vezes eles podem lhes salvar numa prova

3- não sejam tão paranóicas, garotas, madem eles para academia também

Bom, era isso. Foi-se minha cota de revolta com o mundo.

be happy and evil.